
Abilio Brunini - Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
Em uma declaração nas redes sociais, o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, afirmou que servidores comissionados que comemorarem a morte do ativista conservador norte-americano Charlie Kirk serão imediatamente exonerados. O pronunciamento, postado nas redes sociais, gerou debates acalorados sobre liberdade de expressão e ética pública, em meio ao luto internacional pelo assassinato do influenciador aliado de Donald Trump.
Charlie Kirk, fundador da organização conservadora Turning Point USA e figura proeminente na mobilização de jovens republicanos, foi morto a tiros na quarta-feira (10), durante um evento na Universidade Utah Valley, em Orem, no estado de Utah, nos Estados Unidos. Aos 31 anos, Kirk foi alvejado no pescoço por um disparo à distância, enquanto discursava para uma multidão.
Foi nesse contexto de comoção global que Abilio Brunini, prefeito de Cuiabá pelo PL (Partido Liberal), reagiu em postagem nas redes sociais. "Atenção servidor COMISSIONADO, cargo de livre nomeação. Se comemorar o que aconteceu com Charlie Kirk, SERÁ EXONERADO! ", escreveu o gestor, que acumula mandato na prefeitura desde 2021 e é deputado federal licenciado.
Em seguida, ele rebateu críticas sobre liberdade de expressão: "Você tem toda liberdade para se expressar mesmo que de forma desrespeitosa e cruel, mas eu tenho toda liberdade de mandar embora aqueles que eu tenho liberdade de nomear. Sendo assim, cada um aproveita a sua liberdade. Tenta defender o Bolsonaro trabalhando no gabinete do Lula ou do Alexandre de Moraes, e depois vem aqui me explicar sobre liberdade de expressão."
Brunini, conhecido por posições alinhadas à direita, enfatizou em entrevista ao Mato Grosso News que a medida visa preservar "valores éticos e morais" na administração pública. "Quem comemorar a morte de Charlie Kirk será exonerado; não faz parte dos nossos valores éticos e morais", declarou o prefeito, argumentando que cargos comissionados exigem alinhamento ideológico com a gestão.
A postagem, que viralizou com milhares de interações, dividiu opiniões: apoiadores elogiaram a "postura firme contra o ódio", enquanto opositores, como o vereador cuiabano Dilemário Alencar (Cidadania), acusaram o prefeito de "censura seletiva" e de confundir liberdade pessoal com lealdade partidária.
Especialistas em direito administrativo apontam que a exoneração de comissionados por opiniões pessoais é legal, desde que não configure discriminação vedada pela Constituição, mas pode gerar ações judiciais por violação à liberdade de expressão.
Até o momento, a prefeitura de Cuiabá não registrou casos de demissões relacionadas ao episódio, mas o caso reacende discussões sobre polarização política no Brasil, especialmente em ano pré-eleitoral.
