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Uma onda de protestos violentos resultou na renúncia do primeiro-ministro nepalês, K.P. Sharma Oli, do Partido Comunista do Nepal (UML), e na evacuação de políticos por helicópteros indianos HAL Dhruv após manifestantes incendiarem o Parlamento, a Suprema Corte e residências de autoridades. A revolta, que deixou ao menos 19 mortos e mais de 300 feridos, foi desencadeada por uma tentativa do governo de censurar 26 plataformas de redes sociais, incluindo Facebook, Instagram, WhatsApp e X, sob a justificativa de combater crimes online.
A proibição das redes, imposta na semana passada, gerou indignação em um país onde 90% da população de 30 milhões usa a internet. Jovens, denunciando corrupção, nepotismo e falta de oportunidades econômicas, tomaram as ruas de Katmandu com slogans como “Bloqueiem a corrupção, não as redes sociais”. A repressão policial, com uso de munição real, gás lacrimogêneo e balas de borracha, intensificou a crise, levando à invasão e incêndio de prédios públicos e casas de políticos, incluindo a residência de Oli e do ex-premiê Jhalanath Khanal, cuja esposa, Rajyalaxmi Chitrakar, morreu queimada.
Helicópteros indianos foram mobilizados para resgatar mais de 300 autoridades, incluindo ministros, do complexo de Bhaisepati e outros locais, com o Aeroporto Internacional de Tribhuvan fechado devido à violência. O governo suspendeu o bloqueio das redes na terça-feira, mas os protestos continuaram, exigindo a dissolução do Parlamento e novas eleições. O presidente Ram Chandra Poudel aceitou a renúncia de Oli e iniciou negociações para um governo interino, enquanto o Exército tenta restaurar a ordem.
A crise, comparada a revoltas recentes no Sri Lanka e Bangladesh, reflete a frustração com a corrupção e o autoritarismo em um país com PIB per capita de apenas US$ 1.447 e desemprego juvenil de 20%. Analistas alertam para o risco de mais instabilidade, enquanto a Geração Z promete “reconstruir o Nepal”.
