
O computador quântico é um quadradinho cuja a potencialidade é gigantesca — Foto: Adobe Stock
Imagine um computador capaz de resolver em segundos cálculos que levariam bilhões de anos para serem processados por máquinas convencionais. Essa é a promessa da computação quântica, tecnologia que utiliza as leis da física quântica para multiplicar exponencialmente a capacidade de processamento.
Países como Estados Unidos, China e Alemanha lideram a corrida pela construção de computadores quânticos mais poderosos, mas o Brasil também já se movimenta nesse campo, com investimentos em pesquisa e capacitação. Em Alagoas, iniciativas começam a surgir, principalmente ligadas à Universidade Federal de Alagoas (Ufal).
Para explicar os potenciais e os desafios dessa tecnologia, o g1 entrevistou dois especialistas: Gabriel Gomes de Oliveira, pesquisador do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer e membro do IEEE, e Davi Barros, engenheiro de machine learning do Centro de Inovação Edge da Ufal.
Enquanto os computadores clássicos utilizam bits (0 ou 1) e funcionam de maneira sequencial, os computadores quânticos trabalham com qubits, que podem assumir 0 e 1 ao mesmo tempo, graças ao princípio da superposição. Isso permite cálculos em paralelo e simulações de alta complexidade em velocidade incomparável.
Na prática, essa tecnologia possibilita resolver problemas complexos de otimização, criar novos materiais, simular sistemas quânticos com precisão e analisar grandes conjuntos de dados.
Mas, segundo os especialistas, os desafios ainda são grandes. Para operar, os computadores quânticos precisam ser mantidos em temperaturas próximas do zero absoluto (-273,15 ºC), exigindo estruturas de resfriamento extremamente caras. Além disso, ainda faltam profissionais capacitados e soluções para problemas de correção de erros quânticos.
Segundo Davi Barros, a computação quântica pode trazer impactos significativos em setores estratégicos do estado.
“Alagoas tem mostrado interesse em avançar em energias limpas, como a solar. A computação quântica pode contribuir no desenvolvimento de novos materiais e na otimização da infraestrutura de geração e transporte dessa energia. Mesmo sem possuir um computador quântico próprio, o estado já pode colher frutos ao acessar máquinas na nuvem e capacitar profissionais”, explicou.
O engenheiro acrescenta que a tecnologia tem aplicações promissoras em áreas como química, ciência de materiais, logística, indústria pesada, segurança digital e finanças.
Um dos pontos de atenção é a cibersegurança. A capacidade de quebrar códigos e sistemas criptográficos em segundos pode colocar em risco informações sigilosas. Mas, para Gabriel Gomes de Oliveira, a própria evolução tecnológica trará soluções.
“Apesar da ameaça concreta, a comunidade global já está desenvolvendo mecanismos de criptografia pós-quântica, que deverão proteger a privacidade e a integridade digital nessa nova era”, destacou.
Os primeiros protótipos de computadores quânticos surgiram nos anos 1980, mas hoje grandes empresas como Google, Microsoft, IBM e Amazon disputam a liderança na área. A China também desponta com avanços rápidos e investimentos bilionários.
De acordo com pesquisas, a expectativa é que a tecnologia atinja sua maturidade e uso mais amplo por volta de 2030.
“A perspectiva é que a computação quântica se torne cada vez mais eficiente e aplicada em diversos setores da sociedade”, concluiu Gabriel Gomes de Oliveira.
Com potencial para revolucionar a ciência, a indústria e a economia global, a computação quântica já deixou de ser um conceito distante e se tornou um dos maiores desafios e promessas da tecnologia contemporânea.
