


Nesta semana, os Estados Unidos deslocaram navios de guerra, aviões, ao menos um submarino e cerca de 4.000 militares para o mar do Sul do Caribe, perto da costa da Venezuela, segundo as agências de notícias Reuters e Associated Press.
O objetivo seria o combate aos cartéis de drogas que operam na região levando drogas da América do Sul aos EUA. O arsenal mobilizado, contudo, seria um recado de Trump para o governo de Nicolás Maduro, mostrando que ele é capaz de invadir a Venezuela, mais do que uma forma de combater o crime organizado, segundo o cientista político Carlos Gustavo Poggio.
"Mísseis não são para combater cartéis de drogas", diz o professor do Berea College, nos EUA, ao g1. "Não faz sentido jogar um Tomahawk [míssil teleguiado lançado dos navios de guerra que pode viajar centenas de quilômetros] em um cartel."
Em resposta ao envio americano dos navios de guerra, Maduro anunciopu a mobilização de 4,5 milçhões de milicianos para combater o que chamou de "ameaças" dos EUA.
"Destróieres, aviões espiões, mísseis Tomahawk não são úteis para combater cartéis", diz Poggio, ao g1. "Cartéis de drogas não têm navios de guerra, não têm aviões. Eles geralmente usam rotas terrestres para chegar até os EUA. Quando muito, usam embarcações pequenas e lanchas rápidas."
O cientista político aponta, por sua vez, que o efetivo militar deslocado é "extremamente eficaz" para atacar ou invadir um país.
"Se isso acontecer, estaremos diante de um fato histórico: seria a primeira invasão direta dos Estados Unidos em um país da América do Sul, e que faz fronteira com o Brasil", afirmou o professor, na rede social X.
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Navio anfíbio USS San Antonio, integrante do grupo de combate Iwo Jima da Marinha dos Estados Unidos. — Foto: Sargento Nathan Mitchell/Marinha dos Estados Unidos
Donald Trump aponta Nicolás Maduro como o chefe de uma organização chamada Cartel de los Soles, que seria liderada pelo alto escalão do Exército da Venezuela.
Segundo a imprensa latino-americana, o grupo atua como facilitador de rotas de drogas para outros grupos que vendem os produtos no mercado americano, como o mexicano Cartel de Sinaloa e o também venezuelano Tren de Aragua.
Desde a semana passada, alguns países sul-americanos têm acompanhado a decisão de Trump de designar o Cartel de los Soles como organização terrorista, começando pelo Equador, governado por Daniel Noboa, de direita.
Em seguida, foi a vez do presidente Santiago Peña, do Paraguai. Nesta sexta-feira (22), a Guiana também publicou uma medida semelhante.
Para Poggio, a iniciativa é uma confluência de fatores: "A iniciativa vem de países que têm um antagonismo com a Venezuela e com o chavismo, e que querem chamar a atenção de Trump de alguma forma para seus interesses".
Enquanto Equador e Paraguai são governados por opositores do chavismo, a Guiana se encontra em uma disputa terrirorial com Caracas pela região de Essequibo, que ela controla.
Em contraposição aos EUA, a Venezuela tem problemas em seu arsenal militar. Segundo o IISS (Instituto Internacional para Estudos Estratégicos), as Forças Armadas venezuelanas operam com "capacidades restritas" e "problemas de prontidão" por conta de "sanções internacionais, isolamento regional e uma crise econômica de longa data", que nas últimas décadas limitaram a capacidade de comprar armamentos e tecnologia militar.
Por conta dessas restrições, muita incerteza paira sobre as capacidades militares reais da Venezuela, mesmo com o país tendo alguns equipamentos considerados relativamente modernos.