Cresce a tensão entre os Estados Unidos e a Venezuela

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (à esquerda), e o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (à direita).  (Federico PARRA, KAMIL KRZACZYNSKI/AFP)

 

 

O envio de três destróieres norte-americanos com 4 mil marines (fuzileiros navais) para as águas do Caribe, perto da costa da Venezuela, e a mobilização de 4 milhões de milicianos pelo regime de Nicolás Maduro - elevaram a tensão na América Latina a um novo patamar.

A previsão é de que as embarcações militares dos Estados Unidos se aproximem do litoral venezuelano na quinta-feira (21).

O presidente da Venezuela anunciou que  as milícias estão "preparadas, ativadas e armadas". "Vamos seguir avançando no plano de ativação das milícias camponesas e operárias, com corpos de combatentes operários em todas as fábricas e locais de trabalho do país. (...) Fuzis e mísseis para a força camponesa! Para defender o território, a soberania e a paz da Venezuela. Mísseis e fuzis para a classe trabalhadora, para defender nossa pátria", acrescentou.

Composta por cerca de 5 milhões de reservistas, a Milícia Nacional Bolivariana da Venezuela é um ramo das Forças Armadas criado pelo ex-presidente Hugo Chávez em 2005.

Segundo o jornal El Universal, de Caracas, o líder venezuelano também fez um chamado às Forças Armadas da Colômbia para uma aliança em caso de ataque dos EUA.

"Fomos um só exército e, por isso, conquistamos a independência e a liberdade. (...) Nenhum império voltará a tocar a terra sagrada de (Simón) Bolívar. É humilhação suficiente que haja bases nesses territórios", declarou Maduro.

Horas depois do discurso de Maduro, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, avisou: "O presidente (Donald) Trump tem sido muito claro e consequente: está disposto a usar todo o poder para deter a entrada de drogas no nosso país".

E complementou: "Maduro não é um presidente legítimo". O governo Trump não reconhece Maduro como chefe de Estado e o acusa de colaborar com o tráfico de drogas. "Ele é um dos maiores narcotraficantes do mundo e uma ameaça à nossa segurança nacional", acusou a procuradora-geral Pam Bondi.

Os Estados Unidos também aumentaram a recompensa pela captura de Maduro de US$ 25 milhões (cerca de R$ 137,5 milhões) para US$ 50 milhões (R$ 275 milhões).  Washington acusa o venezuelano de ser chefe do Cartel de Soles, que considera ser uma organização terrorista. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, fez coro "contra o intervencionismo" e criticou a presença de forças militares dos EUA no Mar do Caribe.

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