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PMs são presos por matar alagoano em situação de rua em SP; homem era de Craíbas

Rádio Sampaio com G1 e Gazetaweb
Publicado 06/08/2025
Jeferson de Souza foi executado com tiros de fuzil por policias da Força Tática — Foto: Arquivo pessoal

 

Natural de Craíbas, o alagoano Jeferson de Souza, de 24 anos, foi executado com três tiros de fuzil por um policial militar no dia 13 de junho, por volta das 21h25, embaixo do Viaduto 25 de Março, no bairro do Brás, região central de São Paulo. Porém as imagens chocantes do jovem, que vivia em situação de rua, chorando e rendido antes de ser morto foram divulgadas na terça-feira pela TV Globo (5).

Jeferson, que vivia  em situação de rua, estava desarmado - e já havia sido rendido por agentes da Força Tática.

Na primeira versão, os policiais afirmavam que Jeferson tentou tomar a arma de um deles. No entanto, as imagens da câmera corporal (COP) de um dos PMs desmentem a versão – e a gravação mostra que a vítima não ofereceu qualquer resistência, e estava com as mãos à cabeça no momento em que foi baleada.

O responsável pelos disparos, o tenente Alan Wallace dos Santos Moreira, foi preso preventivamente. O mesmo aconteceu como o soldado Danilo Gehrinh, que operava a câmera corporal e tentou cobrir a lente com a mão.

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou Alan por homicídio doloso duplamente qualificado — por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. Danilo deve responder por ter contribuído com a ação.

Segundo o MP-SP, não há sinais de defesa ou reação por parte dos PMs no momento dos disparos. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que os dois policiais estão detidos no Presídio Militar Romão Gomes. A PM afirmou, em nota, que repudia a conduta dos agentes e que o caso é investigado por um Inquérito Policial Militar (IPM) da Corregedoria.

A defesa do tenente Alan afirmou, por meio do advogado João Carlos Campanini, que a ação foi em legítima defesa e que isso será demonstrado no tribunal do júri. A defesa de Danilo Gehrinh não se manifestou.

Era de Craíbas

Jeferson saiu de Craíbas, município com cerca de 24 mil habitantes, no interior de Alagoas, em 2019, logo após a morte da mãe. A irmã da vítima, Micaele Soares, contou ao g1 que o irmão deixou a família em busca de oportunidades de emprego e uma vida melhor em São Paulo.

Nos primeiros anos, trabalhou em uma pizzaria, mas começou a usar drogas e passou a morar na rua.
"O sonho dele era ser jogador. Muitas vezes ele falou pra mim que queria voltar [para Alagoas], que queria sair dessa vida. Ele era um menino tranquilo. É uma dor muito forte que eu não desejo pra ninguém. Já me perguntei mil vezes: 'o que foi que ele fez para chegar ao ponto de tirarem a vida dele?', disse Micaele ao g1.

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