Perto da liberdade, Maníaco do Parque se diz um ‘novo homem’ e mira mudança de nome: ‘Aquele Francisco não existe mais’

Por: Rádio Sampaio com O Globo
 / Publicado em 01/08/2025

O Maníaco do Parque em três momentos: quando foi preso; durante o período na cadeia; e em registro mais recente, do ano passado — Foto: Fotos de reprodução

Condenado a 280 anos de prisão pelo assassinato de nove mulheres, Francisco de Assis Pereira, o Maníaco do Parque, planeja mudar de nome assim que deixar a cadeia. Um dos criminosos mais notórios do Brasil, ele deve ser colocado em liberdade em 2028, quando completará 30 anos encarcerado, limite máximo para cumprimento de pena previsto pela legislação do país à época da sentença.

“Sou um novo homem. Aquele Francisco não existe mais”, afirmou Pereira em entrevista inédita à psicóloga forense luso-brasileira Simone Lopes Bravo, de 50 anos, dentro da Penitenciária de Iaras, no interior de São Paulo.

Como ele sairá da cela diretamente para a rua, sem progressão de regime, não haverá exame criminológico, no qual o apenado é avaliado por psicólogos e assistentes sociais para identificar se representa risco à sociedade ou possibilidade de reincidência.

Atualmente, Pereira está preso na cela 59 do Pavilhão 3 da Penitenciária de Iaras, onde divide espaço com outros seis condenados por estupro. Durante a conversa com a psicóloga, ocorrida em 2024, ele deu detalhes dos crimes cometidos. Confirmou, por exemplo, que voltava aos locais para se masturbar diante dos corpos. “Ficava com muitos pensamentos. Não conseguia parar de pensar. Aqueles pensamentos me excitavam”, narrou.

Ele também contou que escolhia as vítimas no Parque Ibirapuera, em São Paulo, e as atraía com promessas de trabalho como modelo. Pelo menos nove foram assassinadas com sinais de violência sexual. Outras, afirma, acabaram poupadas.

“Mesmo dentro da mata, resolvia não fazer nada com algumas delas. Aí eu as levava de volta até o ponto de ônibus e falava para ela ter cuidado”, contou na entrevista. O estuprador e homicida confesso garante que, nessas situações, não havia qualquer contato físico: “Nem um beijo”.

Ele afirma ter passado por uma conversão religiosa em 24 de abril de 1999. Foi batizado por evangélicos na Penitenciária de Itaí e diz que, desde então, não teve mais pensamentos violentos ou sexuais desviantes: “Nunca mais voltaram.” Agora, vive em constante oração: “Até quando vou caminhar, estou meditando na palavra.”

Apesar da religiosidade, afirmou que não pediria desculpas às famílias das vítimas: “Deus já me perdoou.” Questionado se aceitaria conversar com os parentes, respondeu que sim, mas limitou sua mensagem a uma frase: “A conversão é o único caminho.”

Simone Bravo começou o contato com Francisco por correspondência com o objetivo de escrever um livro. Ela enviou cartas a mais de dez criminosos, mas ele foi o único que respondeu. Morando em Portugal, Simone contratou uma advogada no Brasil, conseguiu ser incluída na lista de visitantes de Francisco e passou a encontrá-lo regularmente dentro da penitenciária na condição de “amiga”, conforme consta no prontuário do preso.

Quando Simone tentou visitar o Maníaco do Parque pela primeira vez, apenas o nome da mãe dele, Maria Helena Pereira, constava na lista de visitantes. Segundo relato da própria Maria Helena, a psicóloga lhe ofereceu pagamento para que ela fosse retirada da relação. A mãe do criminoso justificou que aceitou a proposta porque estava precisando do dinheiro.

A capa do livro "Maníaco do Parque, a loucura lúcida" — Foto: Divulgação
A capa do livro "Maníaco do Parque, a loucura lúcida" — Foto: Divulgação

Com a saída de Maria Helena, a lista foi zerada, e Simone pôde ser incluída como “amiga”. “No início, ele achava que eu estava interessada nele. Mas no primeiro encontro eu expliquei que estava ali para um trabalho”, conta a psicóloga. Desses encontros, nasceu o livro "Maníaco do Parque, a loucura lúcida" (Editora Bretas).

Em 2024, Francisco foi fotografado para o recadastro interno da penitenciária. A imagem mostra o detento com sobrepeso. Segundo um médico da unidade, ele estaria com cerca de 120 quilos. Perdeu todos os dentes devido a um problema grave chamado amelogênese imperfeita, uma condição genética rara que compromete a formação do esmalte e provoca o esfarelamento dental.

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