


O México, vizinho estratégico e parceiro-chave na indústria automotiva dos EUA, conseguiu uma prorrogação de 90 dias para evitar o aumento das tarifas, inicialmente previsto para esta sexta-feira (1°/8). O anúncio veio após uma conversa telefônica entre o presidente norte-americano, Donald Trump, e a presidente mexicana Claudia Sheinbaum.
O acordo firmado para adiar as tarifas sobre as exportações mexicanas por 90 dias “preserva” o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (T-MEC) com o Canadá, disse a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, nessa quinta-feira (31/7).
Em sua coletiva de imprensa matinal, após uma ligação com seu homólogo americano, a presidente disse ter alcançado “o melhor acordo possível” em comparação com outras nações que também enfrentam a ameaça de tarifas de Washington.
Até o fechamento desta reportagem, Washington havia confirmado acordos com Reino Unido, Vietnã, Japão, Indonésia, Filipinas, Coreia do Sul e União Europeia. Os novos termos tarifários entram em vigor nesta sexta.
Enquanto os países negociam acordos às pressas, a legalidade do plano tarifário de Trump enfrenta desafios judiciais em Washington. O Tribunal de Apelações dos EUA está analisando processos que questionam se o ex-presidente pode usar poderes emergenciais para justificar tarifas amplas com base em “emergências econômicas”.
Apesar de uma decisão anterior ter bloqueado a aplicação de várias medidas, o governo conseguiu manter as tarifas em vigor provisoriamente, enquanto recorre da decisão.
Economistas alertam que a nova onda de tarifas pode ter efeito inflacionário e prejudicar cadeias produtivas globais. Mesmo assim, Trump afirmou em sua rede social Truth Social: “As tarifas estão fazendo a América grande e rica novamente”, defendendo sua estratégia com entusiasmo.
Enquanto isso, as incertezas continuam a pairar sobre o comércio global, com um impasse persistente entre os EUA e a China e dezenas de países tentando evitar impactos mais severos. Os Estados Unidos arrecadaram mais em tarifas nos primeiros seis meses de 2025 do que em todo o ano de 2024, segundo dados do Departamento do Tesouro americano compilados pela AFP.
No total, as receitas superam US$ 87 bilhões (R$ 487 bilhões), em comparação com quase US$ 79 bilhões (R$ 425 bilhões em valores da época) em 2024, de acordo com os dados mensais até o final de junho, atualizados até a última quarta-feira.