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O Brasil registrou um crescimento alarmante nos casos de estelionato nos últimos anos. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025, divulgado nesta quinta-feira (24), o país teve um aumento de 408% nos registros de estelionato entre 2018 e 2024. No ano passado, foram contabilizados mais de 2,1 milhões de casos, uma média de quatro golpes por minuto.
A taxa nacional chegou a 1.019,2 casos por 100 mil habitantes em 2024. O levantamento é do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que alerta para a gravidade da situação e a dificuldade das autoridades em investigar e punir esse tipo de crime.
São Paulo lidera, Paraíba tem menor índice
Pelo segundo ano consecutivo, o estado de São Paulo lidera o número absoluto de estelionatos, com 678.839 registros em 2024. A taxa no estado é 71% superior à média nacional, com 1.744 ocorrências por 100 mil habitantes.
Na sequência aparece o Distrito Federal, com taxa 65% acima da média, atingindo 1.684 casos por 100 mil habitantes. O Paraná figura em terceiro lugar, com 1.356 registros por 100 mil.
Na outra ponta, os menores índices foram registrados na Paraíba (235,4), Maranhão (285,3) e Pará (438,5). No entanto, o diretor-presidente do Fórum, Renato Sérgio de Lima, alerta que essa diferença pode indicar problemas na classificação e registro do crime, o que afeta a real dimensão do problema nesses estados.
Crescimento dos golpes eletrônicos
Os estelionatos por meio eletrônico também dispararam, com aumento de 17% entre 2023 e 2024, totalizando 281.206 ocorrências no ano passado. Esse crescimento está relacionado ao avanço da digitalização e à maior exposição da população a fraudes online desde o início da pandemia de Covid-19.
Contudo, o levantamento aponta que muitos estados, como São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará, ainda não distinguem os estelionatos eletrônicos dos demais, o que dificulta uma análise mais precisa desse tipo de crime.
Roubos em queda, mas estelionatos em alta
Enquanto o número de roubos caiu de 1,5 milhão em 2018 para 745 mil em 2024, os estelionatos dispararam no mesmo período. O gráfico do Anuário mostra que a curva de estelionatos ultrapassou a de roubos a partir de 2021, consolidando-se como um dos crimes mais prevalentes no país.
Impunidade e dificuldades de investigação
Apesar do crescimento explosivo, o levantamento aponta para a baixa efetividade na punição dos autores. Apenas 2,4% dos casos registrados chegam ao Judiciário. Isso porque, desde 2019, o crime passou a depender de representação da vítima para ser processado, salvo em casos envolvendo idosos, crianças, pessoas com deficiência ou crimes contra a administração pública.
Em 2024, o Judiciário registrou apenas 51.793 novos casos de estelionato, sendo que apenas 2.195 envolviam idosos, e **6.421 foram classificados como estelionatos majorados.
Renato Sérgio destaca ainda que, mesmo quando denunciados, os réus podem firmar acordos com o Ministério Público, suspendendo o processo desde que devolvam os prejuízos causados. “O risco de punição é extremamente baixo, e na maioria das vezes, o criminoso apenas restitui o valor e não sofre sanção penal”, afirmou.
Prejuízo bilionário
A pesquisa de vitimização feita pelo Fórum em parceria com o Datafolha revelou que, entre julho de 2023 e junho de 2024, mais de 17 milhões de brasileiros acima de 16 anos foram vítimas de golpes, resultando em um prejuízo estimado de R$ 25,5 bilhões.
Com o crescimento contínuo dos crimes digitais e a baixa capacidade investigativa, o relatório aponta a necessidade urgente de modernização no sistema de registro e apuração desses crimes, além de mais proteção ao consumidor e responsabilização dos autores.

