
Carnes processadas, como linguiça, salsicha e bacon, são classificadas como cancerígenas pela OMS — Foto: iStock
A relação entre alimentação e câncer é tema constante de estudos científicos, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) mantém uma lista atualizada dos agentes que podem causar a doença. De acordo com a entidade, embora o câncer seja multifatorial — ou seja, resultado de uma combinação de fatores genéticos, ambientais e comportamentais —, a dieta desempenha papel crucial tanto na prevenção quanto no desenvolvimento da doença.
Segundo estimativas globais, apenas de 5% a 10% dos casos de câncer têm origem hereditária. O restante é atribuído a fatores como tabagismo, exposição solar, infecções virais, sedentarismo, obesidade e, principalmente, uma alimentação inadequada.
"A maioria dos casos de câncer é multifatorial. O maior fator de risco é o acúmulo da exposição a agentes ambientais que causam danos ao DNA ao longo da vida", explica o doutor em Ciências com ênfase em Oncologia, José de Moura Leite Netto.
A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc), órgão da OMS responsável pela classificação de substâncias e alimentos segundo seu potencial cancerígeno, organiza os agentes em quatro grupos:
Grupo 1: Carcinogênico para humanos
Grupo 2A: Provavelmente carcinogênico
Grupo 2B: Possivelmente carcinogênico
Grupo 3: Não há evidências suficientes
Não há nível seguro de consumo. O álcool está associado a diversos tipos de câncer: boca, garganta, esôfago, fígado, intestino e mama. Segundo a OMS, qualquer quantidade consumida já representa risco.
Alimentos como salsicha, linguiça, bacon e presunto são considerados cancerígenos desde 2018. O consumo está ligado principalmente ao aumento do risco de câncer colorretal, com aumento de até 22% na incidência da doença.
Considerada provavelmente cancerígena, a carne vermelha tem relação com câncer de intestino, pâncreas e próstata. A recomendação da OMS é limitar o consumo a no máximo 500g por semana de carne cozida, preferindo métodos como assar e ensopar, evitando frituras e churrascos.
Presente em refrigerantes diet e outros produtos adoçados artificialmente, o aspartame é considerado possivelmente cancerígeno, com base em estudos limitados, especialmente em relação ao câncer de fígado. A OMS estabelece um consumo seguro de até 40mg por quilo de peso corporal, o que representa mais de 10 latas de refrigerante por dia para uma pessoa de 70kg. Ainda assim, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) recomenda evitar qualquer tipo de adoçante artificial.
Típico da culinária chinesa, é considerado cancerígeno desde 2012, com associação comprovada ao câncer de nasofaringe, especialmente quando consumido na adolescência.
Popular em países asiáticos, é mascada com frequência e está relacionada ao câncer de boca. O risco é ampliado quando consumida com outras substâncias, como tabaco.
— Nenhum alimento isoladamente causa câncer. O problema está no padrão alimentar combinado com outros fatores de risco — explica a nutricionista Inarí Ciccone.
A especialista afirma que uma dieta rica em frutas, verduras, legumes e fibras pode reduzir o risco de câncer entre 15% e 30%, especialmente quando associada a hábitos saudáveis como prática de exercícios, sono de qualidade, controle do estresse e ausência de tabagismo.
— Frutas ricas em polifenóis, como uva, lichia e frutas vermelhas, têm efeito protetor quando consumidas regularmente — destaca Inarí.
O cenário global é preocupante. A OMS registra cerca de 19,9 milhões de novos casos de câncer por ano no mundo, com 9,7 milhões de mortes anuais. No Brasil, a estimativa para 2025 é de 704 mil novos casos, sendo o câncer de mama o mais letal entre mulheres e o de pulmão o que mais mata os homens.
Os tipos mais comuns no mundo são câncer de pulmão, mama, intestino, próstata, estômago e fígado. A prevenção, segundo os especialistas, passa por um estilo de vida mais saudável, onde a alimentação desempenha papel central.
