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Escovar os dentes três vezes ao dia é ótimo, mas não o bastante. Um novo estudo mostrou que o uso do fio dental com frequência, pelo menos uma vez por semana, pode reduzir significativamente o risco de AVC e problemas cardíacos, como fibrilação atrial, uma arritmia comum em pessoas mais velhas.
A pesquisa foi apresentada neste ano na conferência Internacional do AVC (International Stroke Conference) da American Stroke Association, em Los Angeles, e acompanha a saúde de mais de 15 mil pessoas desde 1987. Os dados mais recentes, de 6 mil pessoas seguidas por 25 anos, mostraram que quem mantinha o hábito de usar fio dental com frequência teve 22% menos risco de AVC isquêmico, 44% menos risco de AVC hemorrágico (causado por coágulos que vêm do coração) e 12% menos risco de fibrilação atrial.
A conexão pode parecer estranha à primeira vista, mas faz todo sentido para quem estuda o corpo humano. A boca é cheia de bactérias, e quando a higiene não é feita de forma adequada, elas podem provocar inflamações por todo o corpo.
“Isso acontece porque as bactérias e os mediadores inflamatórios entram na corrente sanguínea e acabam influenciando a saúde dos vasos e do coração. Já está bem estabelecido que doenças periodontais aumentam o risco de problemas como AVC e arritmias, então cuidar da saúde bucal é também uma medida de prevenção para o corpo inteiro”, explica a dentista Giovanna Zanini.
A dentista Ilana Marques, da IGM Odontologia, de Brasília, ensina que pacientes com inflamações bucais crônicas, como gengivite ou periodontite, apresentam maior liberação de substâncias inflamatórias na corrente sanguínea, o que favorece a formação de placas nas artérias.
“O fio dental, quando usado regularmente, ajuda a romper esse ciclo silencioso de inflamação que começa na boca, mas pode terminar em problemas como infarto ou AVC”, diz.
Segundo o autor do estudo, o neurologista Souvik Sen, da Universidade da Carolina do Sul, o fio dental é um aliado poderoso e pouco valorizado. Ele destaca que apenas escovar os dentes não remove a placa bacteriana entre os dentes — e é justamente ali que ela se acumula e causa inflamações silenciosas.
O estudo tem algumas limitações, como o fato de que os dados foram auto-relatados — ou seja, os participantes contaram o que faziam, e não foram monitorados ao longo do tempo. Ainda assim, os números chamam atenção e reforçam um recado importante: cuidar da boca é cuidar da saúde como um todo.
