Presença feminina, incluindo de brasileiras, cresce nas tropas da Ucrânia, com atuação em frentes de combate e suporte

Mulheres participando de um curso sobre armas de fogo e combate urbano em uma floresta perto da capital da Ucrânia, Kiev — Foto: Brendan Hoffman / The New York Times

 

A guerra entre Rússia e Ucrânia é marcada por fatores que a diferencia de outros conflitos armados que fizeram parte da história. Segundo o Centro de Recrutamento Estrangeiro da Ucrânia, além do uso massivo de tecnologia em larga escala e drones, o aumento nas inscrições de estrangeiros para integrarem às tropas já registra também um número elevado na inscrição de mulheres — incluindo de brasileiras.

"Muitas estão vindo para cá. São jovens e nos ajudam em várias frentes, como médicas, atiradoras, artilheiras, entre outros. Eu não conheço tanto a cultura brasileira, mas na Ucrânia ainda não é tão comum ver mulheres de uniforme. É mais considerado um papel masculino, mas isso está mudando e é totalmente aceitável para nós" — diz o comissário de recrutamento do Ministério da Defesa ucraniano, Oleksiy Bezhevets.

A legislação que permite a atuação de mulheres em funções de combate foi aprovada no país em 2018, quatro anos após a primeira ofensiva russa no Leste da Ucrânia. Agora, no quarto ano de guerra contra a Rússia, Kiev enfrenta uma necessidade urgente de soldados — e tem ampliado os esforços para atrair mais mulheres para o serviço militar. Entre as iniciativas estão campanhas de recrutamento voltadas ao público feminino e treinamentos sobre igualdade de gênero para comandantes.

Atualmente, cerca de 70 mil mulheres servem nas Forças Armadas ucranianas, mas apenas 5,5 mil atuam em funções de combate. Desde o início da invasão russa, em 2022, o número de mulheres nas Forças Armadas aumentou 20%, segundo o Ministério da Defesa da Ucrânia. Apesar disso, muitas dizem que o machismo ainda é presente e que barreiras institucionais persistem.

As mulheres têm sido atraídas, em particular, para pilotar drones utilizados para vigilância ou para lançar explosivos sobre o inimigo. Segundo o governo ucraniano, em 2024 foram construídos 1,5 milhão de drones de ataque, reconhecimento e destinados a outras funções, como a limpeza de campos minados, e a expectativa é de que a produção chegue a 4,5 milhões até o final do ano. Em 2023, foram 300 mil.

Os drones servem ainda para abastecimento. Em diversas trincheiras e pontos de atuação dos soldados, onde carros não conseguem chegar, os drones são enviados com alimentos, medicamentos e outros suprimentos para garantir que as tropas não fiquem desabastecidas.

"As mulheres que podem pilotar drones são pessoas que amanhã poderão, se necessário, obter um drone para atingir o fogo de artilharia" — disse Valeriy Borovyk, comandante de uma unidade de drones e fundadora de um grupo dedicado ao treinamento de pilotos femininos.

Estrangeiros no front

Segundo o Centro de Recrutamento Estrangeiro da Ucrânia, desde março, quando um movimento nas redes sociais intensificou o convite à participação de estrangeiros, houve um aumento estimado de 20% nas inscrições de brasileiros. Até o momento, o total de soldados de diferentes países recrutados nos últimos três meses é de 9.620 pessoas. Para proteger operações internas em andamento, não é informado quantos são do Brasil.

Sem respaldo do Itamaraty

A participação de brasileiros que se inscrevem de forma voluntária para integrarem as tropas em guerra não tem respaldo do Itamaraty. Entretanto, o Ministério das Relações Exteriores, por meio da Embaixada do Brasil em Kiev, afirma que “permanece à disposição para prestar assistência consular à comunidade brasileira na Ucrânia” mas “reitera sua recomendação de que sejam evitadas todas as viagens à Ucrânia, bem como a permanência no país”.

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