
Ricardo Barbosa- Foto: Sandro Lima
O Ministério Público Federal (MPF) vai investigar a denúncia contra o presidente do diretório estadual do Partido dos Trabalhadores (PT), em Alagoas, Ricardo César Barbosa de Oliveira, de uso indevido de recursos do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) - durante as eleições de 2024.
A representação foi apresentada pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), coordenado pelo advogado Antônio Fernando da Silva, mais conhecido como Fernando CPI, e aponta o favorecimento direto ao filho do dirigente, o advogado Guilherme Tadeu Albuquerque Barbosa.
De acordo com a denúncia, Ricardo Barbosa teria direcionado R$ 474 mil à empresa Guilherme Barbosa Sociedade Individual de Advocacia, de titularidade de seu filho, para prestação de serviços de consultoria jurídica na campanha eleitoral. O caso também envolve o suposto favorecimento de Gino César de Oliveira e de sua esposa, por meio da contratação de empresas ligadas ao casal, com base em notas fiscais anexadas ao processo.
A Procuradoria Regional Eleitoral, por meio do procurador Marcelo Jatobá Lobo, reconheceu a gravidade dos fatos narrados, que apontam para possível desvio de finalidade na aplicação de verbas públicas. Segundo o parecer, os recursos envolvidos ostentam natureza pública e devem ser utilizados com base nos princípios constitucionais da moralidade, impessoalidade, economicidade e transparência.
A contratação de parentes com verbas partidárias, embora não seja vedada em lei, exige critérios rigorosos de legalidade e justificativa de custo-benefício, conforme já definido em julgados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ainda segundo o denunciante, as irregularidades não se restringem ao ano de 2024, havendo relatos de que a prática se repete desde 2020. As contas do PT de Alagoas do último pleito ainda estão sob análise do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (processo 0600336-52.2024.6.02.0000). Uma vez que a representação envolve verbas públicas federais, a Procuradoria Regional Eleitoral determinou a remessa de cópia integral da denúncia à Coordenadoria Jurídica da Procuradoria da República em Alagoas (COJUD), para apuração de possíveis atos de improbidade administrativa.
