
Muitos jovens chineses estão trocando o chá pelo café, dizem especialistas | Freepik
O café, uma das bebidas mais tradicionais no Brasil, sofreu um aumento de 80% no preço nos últimos 12 meses, alcançando a maior inflação do produto em três décadas, de acordo com dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o café moído acumulou alta de 52,3% entre janeiro e dezembro de 2024, enquanto o café em cápsula teve aumento de 42,4%. No entanto, ao considerar o período de 12 meses até março de 2025, o aumento chega a 81,9% — maior variação desde 1994.
A escalada nos preços é resultado de uma combinação de fatores climáticos e econômicos. A forte seca, seguida por geadas em importantes regiões produtoras, afetou severamente a produção de café arábica no Brasil. Com menor oferta no mercado, os preços dispararam. Além disso, a elevação nos custos de produção, como fertilizantes e transporte, também pressionou os valores.
O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de café, e as condições internas afetam diretamente os preços internacionais. Com o dólar em patamar elevado, exportadores têm preferido vender para o mercado externo, o que reduz a oferta interna e contribui para a inflação.
Especialistas apontam que a situação ainda pode demorar a se estabilizar. Como o café é uma cultura que leva anos para atingir a maturidade, os impactos climáticos ainda devem refletir na produção. Até lá, os consumidores podem continuar sentindo no bolso o amargor do café mais caro.
