
Foto: Arquivo/G1
A situação da estiagem no semiárido alagoano se agrava e não deve ser aliviada nem mesmo com a chegada do período chuvoso. A previsão meteorológica indica volumes de chuva abaixo da média, somados a temperaturas elevadas e longos períodos de seca, o que pode intensificar os impactos já sentidos pela população da região.
De acordo com o superintendente de Prevenção em Desastres Naturais de Alagoas, Vinícius Pinho, o cenário atual remete às secas históricas que assolaram o estado entre 2012 e 2017. “Essas chuvas abaixo da normalidade no semiárido nos preocupa. Esse é o período de recarga hídrica, ou seja, onde se guarda água para os próximos meses. A situação já é difícil e a pouca chuva que deve vir na quadra chuvosa deve agravar esse quadro ainda mais”, alertou em entrevista ao g1 AL.
A escassez de chuva no início do ano já levou 32 dos 102 municípios alagoanos a decretarem situação de emergência, com reconhecimento por parte da Defesa Civil Nacional. Milhares de famílias no Sertão foram afetadas, enfrentando falta de água nos reservatórios e impactos diretos na produção agrícola e pecuária — atividades essenciais para a economia local.
O agravamento da crise hídrica preocupa especialmente porque o padrão climático previsto para os próximos meses inclui uma combinação perigosa: longos períodos secos intercalados por episódios de chuva intensa em curtos espaços de tempo. “Durante a quadra chuvosa, teremos temperatura acima da normalidade e com dias consecutivos secos. Esses dias podem ser seguidos por dias de chuva intensa em um curto espaço de tempo, o que é perigoso. O nosso final de ano no semiárido deve ser bem difícil na questão da seca”, explicou Pinho.
Em resposta à situação, a Defesa Civil Estadual apresentou, na quarta-feira (24), um plano de respostas a desastres para o período chuvoso. A reunião contou com a presença de representantes das defesas civis municipais e da segurança pública, visando fortalecer a articulação e o planejamento diante dos desafios climáticos que se aproximam.
O cenário exige atenção redobrada das autoridades e políticas públicas voltadas à mitigação dos efeitos da seca, além de ações emergenciais para garantir o abastecimento de água e a subsistência das famílias sertanejas. A expectativa é de que o estado se mobilize para enfrentar mais um ciclo difícil de estiagem prolongada no semiárido.
