Após 22 anos, Rússia retira Talibã de sua lista de organizações terroristas em gesto diplomático

Chanceler da Rússia, Sergei Lavrov (D), ao lado do chanceler apontado pelo regime Talibã no Afeganistão, Amir Khan Muttaqi, em Moscou — Foto: Ministério das Relações Exteriores da Rússia / AFP

A Suprema Corte da Rússia anunciou nesta quinta-feira (17) a retirada do Talibã de sua lista de organizações terroristas, uma medida que visa fortalecer as relações entre Moscou e Cabul. A decisão, de acordo com agências de notícias russas, foi comunicada pelo juiz responsável pelo caso, Oleg Nefedov.

— A decisão entra em vigor imediatamente — declarou o juiz.

A iniciativa partiu da promotoria russa, que em março deste ano solicitou à Suprema Corte a exclusão do grupo da lista. Apesar da exclusão do grupo, que estava na lista de terroristas desde 2003, no entanto, o ato não representa, por ora, o reconhecimento formal do governo talibã por Moscou, que retomou o controle do Afeganistão em agosto de 2021 após o colapso do governo apoiado pelos Estados Unidos.

A remoção acontece após 22 anos. Porém, desde a queda do antigo governo do Afeganistão, em 2021, e da decisão dos EUA de tirarem seus militares do país, a Rússia via o Talibã como um "mal menor" na Ásia Central, especialmente para conter o avanço do braço do Estado Islâmico na região — uma posição compartilhada por governos como o da China e do Irã.

Acordo entre Talibã e Rússia

 

Já em setembro de 2022, o regime Talibã, por sua vez, fechou um acordo preliminar para a compra de trigo e petróleo (e derivados) da Rússia, na primeira grande negociação internacional do tipo desde o retorno do grupo ao poder.

O acerto incluiu a compra anual de um milhão de toneladas de gasolina, um milhão de toneladas de diesel, 500 mil toneladas de gás liquefeito de petróleo (GLP) e dois milhões de toneladas de trigo, segundo o relato do porta-voz do Ministério de Comércio e Indústria afegão, Abdul Salam Jawad, à AFP.

À época, as autoridades locais não quiseram falar em valores, mas reconheceram que os russos deram descontos sobre os preços dos insumos. Pelo lado russo, os ministérios da Energia e Agricultura não comentaram, mas o então enviado especial de Moscou para o Afeganistão, Zamir Kabulov, confirmou que existiu um acordo preliminar.

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