
Aumento da temperatura no oceano, impactos humanos e fenômenos como El Niño explicam a alta mortalidade de corais em Alagoas — Foto: Ufal
A Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais, maior unidade de conservação marinha do Brasil, localizada entre Alagoas e Pernambuco, enfrenta uma grave crise ambiental. Pesquisadores identificaram a morte de cerca de 80% dos corais nos recifes rasos, ameaçando não apenas a biodiversidade, mas também atividades econômicas como a pesca artesanal e o turismo.
A barreira de corais da região, uma das maiores do mundo, se estende por cerca de 130 km, abrigando milhares de espécies marinhas. No entanto, o aquecimento das águas do oceano tem provocado o branqueamento dos corais, um fenômeno que os enfraquece e os torna vulneráveis a outros fatores como poluição e turismo desordenado. "A pesca artesanal depende dos recifes saudáveis para a manutenção da atividade econômica e da cultura local", alerta o biólogo Robson Santos, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).
Moradores e trabalhadores da região já percebem os impactos da degradação. Seu José do Carmo, jangadeiro em Maceió, lamenta as mudanças que presenciou ao longo dos anos. "Antes os corais eram coloridos, agora estão todos brancos. Me pergunto o que meus netos vão ver no futuro". Andréia Lopes, marisqueira de Maragogi, reforça a necessidade da preservação: "A gente que é nascido e criado aqui tem que dar valor ao que tem".
Para conter os danos, a APA Costa dos Corais é gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que regulamenta o turismo na região. Recentemente, a Justiça proibiu a atividade turística na Lagoa Azul, em Maragogi, após ação do Ministério Público Federal (MPF) que apontou riscos ao ecossistema. Entretanto, outras piscinas naturais continuam recebendo visitantes, tendo registrado mais de 300 mil turistas em 2024.
Pesquisadores utilizam tecnologias de monitoramento, como mergulho científico e fotografia de alta definição, para avaliar a recuperação dos corais. "Apesar de lenta, a regeneração é possível se a temperatura do oceano diminuir", explica o pesquisador Pedro Pereira, do ICMBio. Além disso, medidas como o cultivo e transplantio de corais saudáveis são alternativas para auxiliar a recuperação.
O turismo sustentável surge como alternativa para equilibrar conservação e economia. Em Porto de Pedras (AL), a Associação Peixe-Boi promove o turismo de observação aliado à conscientização ambiental, envolvendo a comunidade local. Para Robson Santos, iniciativas como essa são essenciais: "Precisamos apoiar políticas climáticas e ambientais para evitar que uma situação já grave se agrave ainda mais".
A crise na Costa dos Corais exige ação urgente para proteger um ecossistema essencial para o meio ambiente e a economia da região. Sem medidas eficazes, a maior mortalidade de corais já registrada no Brasil pode se tornar um desastre irreversível.
