


Após ser acusado pelo governo israelense de usar “dupla moral”, o papa Francisco voltou a criticar os bombardeios na Faixa de Gaza neste domingo (22/12). Os comentários foram feitos durante a oração do Angelus, realizada excepcionalmente on-line porque o sumo pontífice está resfriado e quer se poupar antes dos compromissos natalinos.
“Com dor, penso em Gaza, em tanta crueldade, nas crianças metralhadas, nos bombardeios de escolas e hospitais. Quanta crueldade!”, declarou o religioso em sua residência, a Casa Santa Marta, no Vaticano.
O sumo pontífice se pronuncia frequentemente sobre guerras pelo mundo. Mas, nos últimos tempos, vem intensificando as críticas a Israel, carregando o tom de seus discursos e deixando de lado uma certa neutralidade política.
No final de novembro, o papa denunciou “a prepotência do invasor” na Ucrânia, mas também na “Palestina”, uma semana após a publicação de um livro no qual Francisco defende “investigar com atenção” se a situação em Gaza corresponde à “definição técnica” de genocídio. O líder do Vaticano já havia criticado, em setembro, o uso “imoral” da força no Líbano e na Faixa de Gaza.
Israel não demorou a rebater as declarações do sumo pontífice. “Os comentários do papa são particularmente decepcionantes porque estão desconectados do contexto real e concreto da luta de Israel contra o terrorismo jihadista”, reagiu no sábado o Ministério das Relações Exteriores de Israel.
O comunicado ainda acusou Francisco de “duplas morais” e de “apontar o dedo para o Estado judeu e seu povo”. Para o governo israelense, as críticas deveriam se concentrar nos agressores, “não na democracia que se defende diante deles”.
O texto ainda ressalta que quase 100 pessoas sequestradas pelo grupo Hamas continuam em cativeiro na Faixa de Gaza, entre elas vários menores. “A crueldade é que terroristas se escondam atrás de crianças enquanto tentam assassinar crianças israelenses”, insistiu a diplomacia israelense.
Integrantes do grupo Hamas mataram 1.208 pessoas nos ataques de 7 de outubro de 2023. Já a ofensiva israelense deixou mais de 45 mil mortos no enclave palestino, segundo os dados do Ministério da Saúde da Palestina, considerados confiáveis pela ONU.