
Lula, Alckmin e Moraes na diplomação | Foto: Fabio Pozzebom/Agência Brasil
A operação Contragolpe, da Polícia Federal, prendeu quatro militares e um agente da PF, na terça-feira (19). Todos são acusados de envolvimento em um planejamento de golpe de Estado após as eleições de 2022, que incluiria o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
De acordo com a PF, dois deles são militares das Forças Especiais (FE), os chamados "kids pretos". Os envolvidos usavam apelidos para se referirem aos alvos da operação golpista denominada "Punhal verde amarelo". Em documentos apreendidos, os golpistas chamam as possíveis vítimas por codinomes, como Jeca (Lula), Joca (Alckmin) e Juca (ainda não identificado pela PF).
Os policiais federais cumpriram ainda três mandados de busca e apreensão e 15 medidas cautelares diversas de prisão, como proibição de manter contato com demais investigados, se ausentar do país, e suspensão do exercício de funções públicas.
General da brigada Mario Fernandes: foi secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência da República no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e chegou a ser ministro de forma interina. Também é ex-assessor do deputado federal Eduardo Pazuello (PL-RJ), ex-ministro da Saúde.
Tenente coronel Hélio Ferreira Lima, que comandava a 3ª Companhia de Forças Especiais em Manaus, destituído do cargo em fevereiro deste ano.
Major Rodrigo Bezerra Azevedo: ingressou no serviço público em 1999. Em 2022, ele era Major da Infantaria que servia no Comando de Operações Especiais (OB), unidade de ações de alta complexidade.
Major Rafael Martins de Oliveira: militar da ativa, conhecido pelo apelido de Joe. Ele é descrito pela autoridade policial como um militar de "alta capacidade técnica", com registro de participação no Batalhão de Ações e Comandos. Segundo o documento da PF, Rafael ficou responsável por levantar os custos do golpe, encaminhando o orçamento do plano para Mauro Cid.
Policial federal Wladimir Matos Soares: estava na segurança do candidato eleito à época, Lula, e auxiliou na parte do planejamento operacional que previa o assassinato de Lula e Alckmin.
De acordo com o documento, a organização criminosa previa as mortes com uso de um arsenal de guerra. Além de uma metralhadora belga/norte-americana M249 — utilizada por forças militares, incluindo a dos Estados Unidos —, os golpistas pretendiam usar pistolas, fuzis, lança-granadas e lança-rojão. A própria PF detalha o arsenal na investigação: Um dos planos incluía a possibilidade de envenenamento ou “uso de químicos para causar colapso orgânico”.
Investigações
As investigações da PF e do STF apontam que após a derrota de Bolsonaro, nas Eleições 2022, foi elaborado e efetivado um plano de "golpe de Estado, na tentativa de impedir a posse do governo legitimamente eleito" e de tentativa de "restringir o livre exercício do Poder Judiciário". Um dos ataques seria em 15 de dezembro de 2022, três dias após diplomação de Lula.
Uma reunião no dia 9 de dezembro de 2022, no Palácio do Planalto, com o então chefe do Comando de Operações Terrestres do Exército (Coter), general Estevam Cals Theóphilo Gaspar de Oliveira, sacramentou a atuação dos "kids pretos" na tentativa de golpe de Estado e atentados.
A investigação da PF aponta que , neste mesmo dia 9 de dezembro, dois auxiliares diretos do então presidente Jair Bolsonaro, Mauro Cid e Marcelo Câmara, coronel do Exército, "trocaram mensagens indicando que estavam acompanhando a operação".
Ministério da Justiça
O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, repudiou o plano de golpe de Estado e de assassinatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Ele considerou os fatos gravíssimos e prometeu uma resposta adequada para o caso.
Novo depoimento
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, intimou o ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, Mauro Cid, a depor amanhã, quinta-feira (21), às 14h, para esclarecer as contradições apontadas pela Polícia Federal em sua delação. A Polícia Federal enviou para o ministro do STF uma cópia do depoimento de Cid, apontando os trechos em que os investigadores consideram que houve omissão ou contradição nas respostas sobre o plano para matar Lula, Alckmin e Moraes.
A defesa de Cid afirma que ele não tem conhecimento sobre a tentativa de golpe e não omitiu nenhuma informação durante a oitiva na PF.
