


Imigrantes brasileiros temem deportação em massa sob governo Donald Trump. Estima-se que, dos quase 2 milhões de brasileiros que residem nos Estados Unidos, 230 mil estejam em situação irregular. O número coloca o Brasil como o 8º país com mais imigrantes sem documentos em território americano, segundo um balanço do Departamento de Segurança Interna de 2023.
Ainda de acordo com os números do Departamento, entre outubro de 2019 e setembro deste ano, 162 mil brasileiros foram flagrados tentando cruzar a fronteira México-EUA, a 12ª nacionalidade mais apreendida.
De acordo com o Itamaraty, os EUA são o principal destino de expatriados, com Nova York, Boston e Miami liderando o ranking de áreas com as maiores comunidades brasileiras do mundo.
Analistas ouvidos pelo GLOBO se mostraram céticos quanto à viabilidade de uma política de deportação em massa, que poderia afetar até 11 milhões de pessoas. Para a advogada Marta Mitico, presidente da Associação Brasileira de Especialistas em Migração e Mobilidade Internacional (Abemmi), muitas das políticas testadas por Trump no passado — como a construção de um muro na fronteira EUA-México (em moldes diferentes do prometido na campanha) e a separação de pais e filhos que fizeram a travessia juntos — não deram certo. Agora, suas promessas esbarram na economia, tema central nas urnas.
"Trump é muito barulhento, mas em termos práticos ele fez menos deportações que [Barack] Obama, que foi mais legalista e firme, mas silencioso — comparou Mitico. — Para deportar pessoas, há um custo astronômico da máquina administrativa. Como você coloca isso no bojo das necessidades do país? Os juízes americanos vão trabalhar só com deportação? Ainda é preciso mapear as pessoas. Elas estão trabalhando na agricultura, na construção civil... Isso vai ter impacto na economia, porque esses imigrantes estão ocupando postos que os americanos não querem"- afirmou.