Extrema direita alemã vence eleições pela primeira vez desde 1945

Foto: Pexels

A extrema direita alemã conseguiu uma vitória histórico nas eleições regionais, realizadas no domingo (1) no leste na Alemanha. Esta é a primeira vez, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, que um partido de direita vence uma eleição estadual.

As votações na Turíngia e Saxônia, ambos estados no leste alemão, serviram como um termômetro da insatisfação do eleitorado com o governo federal e também expôs, mais uma vez, como o leste e o oeste do país continuam divididos, mais de três décadas depois da queda do Muro de Berlim.

Após obter seu pior resultado histórico ao nível nacional nas passadas eleições europeias de junho, o Partido Social-Democrata (SPD) de Scholz conseguiu pouco mais de 7% em ambas as regiões. Nos dois estados, as três legendas que formam a coalizão do governo federal – sociais-democratas (SPD), verdes e liberais (FDP) – não chegam sequer a somar juntas 15%, nessas eleições fortemente influenciadas pelos temas nacionais.

Assuntos como o apoio à Ucrânia na guerra contra a Rússia e o acolhimento de imigrantes tiveram papel de destaque nas campanhas. O atentado a faca que deixou três mortos no mês passado na cidade de Solingen, no oeste da Alemanha, também teria contribuído ainda mais para acirrar os ânimos. O suposto autor do atentado foi um cidadão da Síria que devia ter sido deportado.

A extrema direita aproveitou o incidente para reforçar seu discurso anti-imigração e fazer novas acusações ao governo alemão.

“Cordão sanitário” contra a AfD

Todos os outros partidos alemães recusam uma colaboração com o partido Alternativa para a Alemanha (AfD) e praticam o chamado “cordão sanitário”, para evitar que a sigla de extrema direita chegue ao poder. No nível estadual, assim como no nível federal, o sistema é parlamentarista na Alemanha. Por isso, o governador do estado precisa ter o apoio de mais da metade dos assentos no parlamento estadual. Isso impede que a AfD chegue ao poder.

Mas, por outro lado, a alta votação do partido, com mais de 30% tanto na Turíngia como na Saxônia, permite aos ultradireitistas bloquear certas leis estaduais que demandam maioria de dois terços do parlamento regional. Além disso, também dificulta a formação de uma coalizão para eleger um novo governador em ambos os estados.

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