


Nesta segunda-feira (19), a ditadura de Daniel Ortega e Rosario Murillo na Nicarágua fechou, de uma só vez, 1.500 organizações sem fins lucrativos no país.
Na altura do número 700 da lista, aparece o Brasil. O regime centro-americano ordenou o fechamento da Nicabrás, a Câmara de Comércio Brasil-Nicarágua que atuava no país desde o início dos anos 2010.
Desde o início do ano passado, quando aprovou uma legislação para regular e controlar organizações sem fins lucrativos, a ditadura tem recorrentemente anunciado o cancelamento de diversas organizações. Porém, nunca antes haviam sido fechadas tantas no mesmo dia.
O Ministério do Interior da ditadura orteguista afirmou que as centenas de organizações que veem seu fim nesta segunda-feira descumpriram regras de prestação de contas estabelecidas na lei. Além disso, foi anunciado que os bens desses grupos serão confiscados e agora passam a pertencer ao Estado da Nicarágua, prática que tem se tornado comum no país.
No final do ano passado, as atividades da embaixada do Brasil na capital Manágua já haviam sido congeladas. Mais recentemente, a fragmentação do laço bilateral atingiu o ápice quando Manágua expulsou o embaixador brasileiro na capital, ação que foi seguida do também anúncio de Brasília de que expulsaria a diplomata nicaraguense que estava no posto.
A maioria das organizações fechadas tem vínculo religioso. A dupla Ortega-Murillo produziu perseguição à Igreja Católica ao longo dos últimos anos, fator que inclusive esteve na ponta do rompimento do presidente Lula com seu aliado histórico Ortega. No meio, há também a Congregação Israelita da Nicarágua e outros grupos judaicos.