
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (ao centro) ao lado dos presidentes do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), à esquerda, e o da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), à direita — Foto: Cristiano Mariz/O Globo
Sob pressão para equilibrar as contas do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o poder que o Congresso tem sobre o Orçamento da União e admitiu que o Executivo está "fragilizado" em relação à definição de como gastar o dinheiro público. O petista, contudo, comemorou o que chamou de vitórias da sua gestão nesse campo, como a PEC da Transição e a Reforma Tributária.
— A verdade nua e crua é que depois da experiência do governo passado o Congresso se empoderou demais e na minha opinião o poder Executivo tem ficado fragilizado na arte de exercer o orçamento da União. Esse é o dado concreto e todo mundo sabe disso — afirmou Lula em entrevista a rádio CBN.
Sem citar o nome do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmando que foi orientado a não falar o nome de seu antecessor, Lula disse que o Governo passado não se preocupava com o orçamento e deixou "o Congresso fazer o quisesse":
— "Ele deixou o (Paulo) Guedes fazer o que quisesse na economia e ele deixou o Congresso fazer o que quisesse, ele não se preocupava com o orçamento, o orçamento era do Congresso" — afirmou.
Em seguida, o presidente afirmou que sua gestão tem conseguido implementar mudanças na relação com os parlamentares e obteve vitórias na aprovação da PEC da Transição e da Reforma Tributária, mas ponderou que isso não ocorre "na rapidez" que ele quer:
- "O que conseguimos mudar, primeiro, temos conseguido conversar muito com o Congresso. Os ministros, os líderes e eu tenho conversado muito. A gente tem feito a coisa andar, nem sempre com a rapidez com que a gente quer. É importante levar em conta que muitas vezes o Congresso tem contribuído, aprovar a PEC da Transição foi algo extraordinário, aprovar a política tributária com a pressa que o Congresso aprovou foi extraordinário para nós. Nós agora esperamos que haja a regulamentação"- afirmou.
