Eleições no México: Claudia Sheinbaum é eleita primeira mulher presidente na história do país

Claudia Sheinbaum, nova presidente do México, do partido governista Morena — Foto: ULISES RUIZ / AFP

Na divulgação da primeira contagem preliminar oficial, a cientista Claudia Sheinbaum, ex-prefeita da Cidade do México é eleita a nova presidente do México com 59,5% dos votos. Os dados da contagem rápida foram divulgados pelo Instituto Nacional Eleitoral (INE). Com esse resultado, Sheinbaum será a primeira mulher a ocupar o cargo no país, levando o partido de esquerda Morena, do atual presidente e seu padrinho político Andrés Manuel López Obrador, há mais seis anos no poder.

A contagem preliminar do INE dá à candidata oficial um intervalo que vai entre 58,6% e 60,7% dos votos e uma vantagem de cerca de 30 pontos percentuais sobre a segunda colocada, Xóchitl Gálvez, senadora de centro-direita de origem indígena que era a principal aposta da coalizão opositora, formada pelos tradicionais partidos tradicionais PAN, PRI (que governou durante sete décadas até 2000) e PRD.

Segundo o El País, Claudia Sheinbaum saiu de seu comitê logo após o anúncio do INE, depois da meia-noite, para comemorar sua vitória. "A diferença para a Presidência da República é de mais de 30 pontos e, mesmo considerando a menor patente, conquistamos a maioria qualificada na Câmara dos Deputados e muito provavelmente no Senado", disse sob aplausos.

Sheinbaum agradeceu aos mexicanos que participaram da votação e também aos candidatos da oposição, Xóchitl Gálvez e Álvarez Máynez, que ligaram minutos antes para ela para reconhecer a derrota.

"Quero agradecer ao povo do México pelo reconhecimento da nossa história, pelos resultados, pela sua convicção e pela sua vontade, mas acima de tudo pelo reconhecimento do povo ao nosso projeto nacional. Também sou grata porque, pela primeira vez em 200 anos de República, serei a primeira mulher presidente do México", enfatizou.

"Concebemos um México plural, diverso e democrático", continuou. "Nosso dever é e sempre será zelar por cada um dos mexicanos, sem distinção. Embora muitos mexicanos não concordem totalmente com nosso projeto, teremos que caminhar em paz e harmonia para continuar construindo um México justo e mais próspero".

'Povo exemplar'

López Obrador parabenizou os candidatos presidenciais desta corrida, especialmente sua companheira de chapa: "E claro, com todo o meu carinho parabenizo Claudia Sheinbaum, que venceu esta corrida por uma larga margem, vai ser a primeira mulher presidente do México em 200 anos [...] mas também a presidente, possivelmente com o maior número de votos obtidos em toda a história do nosso país", disse.

O presidente também festejou o eleitorado mexicano e disse ter orgulho de ser o presidente "de um povo exemplar". "Parabéns a todos nós que temos a sorte de viver nestes tempos estelares de orgulho e transformação", disse.

A consagração da vitória de uma mulher já era dada como certa, com Sheinbaum e Gálvez no topo das pesquisas desde o início desta que é considerada a maior eleição da História do país — além da Presidência, cerca de 20 mil cargos políticos estavam em jogo.

Cerca de 98 milhões foram às urnas votar neste pleito de turno único. No México, não há reeleição presidencial ou voto obrigatório, e o mandato presidencial tem duração de seis anos.

Embora o México seja conhecido pelos índices alarmantes de violência de gênero, o movimento feminista tem ganhado cada vez mais força no país nos últimos anos, o que explica a aposta de coalizões de dos dois espectros políticos em quadros femininos. Além da descriminalização nacional do aborto no ano passado, uma das principais conquistas das feministas mexicanas aconteceu em 2019 e foi fundamental para a conjuntura política de hoje: a inclusão da paridade de gênero obrigatória para todos os cargos eletivos na Constituição.

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