Oposição acusa governo de uso eleitoral da crise no RS

Rádio Sampaio com Correio Braziliense
Publicado 19/05/2024
Lula, ao microfone, em São Leopoldo, no anúncio de medidas para o Rio Grande do Sul: evento com palco, autoridades e plateia - (crédito: Henrique Lessa/CB/DA.Press)

A cena do anúncio feito em São Leopoldo (RS) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua comitiva das medidas contra os efeitos devastadores das chuvas no Rio Grande do Sul ganhou ares de palanque eleitoral. O comedimento que a situação exigia, entendem aliados do governador Eduardo Leite, do PSDB, foi deixado de lado em um momento em que o estado vive uma catástrofe com dezenas de mortos e desaparecidos. Lula chamou o ministro Paulo Pimenta ao centro do palco como se fosse um ato de início de governo. O deputado petista migrou da Secretaria de Comunicação para o Ministério Extraordinário da Reconstrução do estado. E assim foi apresentado.

No mesmo cenário, em pé e em posição de destaque no palanque, a deputada Maria do Rosário (PT-RS), pré-candidata à prefeita de Porto Alegre, aplaudia com entusiasmo. Contrastando com esse clima, o governador gaúcho permaneceu estático na cadeira, não aplaudiu nem engrossou o coro festivo do PT.

A indicação de Pimenta para coordenar as ações federais no estado motivou uma resposta imediata do PSDB. O deputado Aécio Neves, liderança dos tucanos, chamou de "excrescência" a decisão de Lula e afirmou se tratar de uma "intervenção" do governo federal no Rio Grande do Sul. O governador Eduardo Leite sequer foi comunicado da nomeação.

O prefeito de São Leopoldo, Ary Vanazzi, saiu em defesa de Pimenta, em entrevista ao Correio Braziliense.  Disse não ver como uma intervenção política. "Paulo Pimenta é gaúcho, conhece o estado, é deputado federal. Além disso, conhece as lideranças, e é preciso alguém assim, bem articulado, que conheça a realidade e que saiba onde está pisando. Essa questão não está no centro do debate. Pelo menos, até aqui. Esta tragédia exige unidade política", disse Vanazzi.

Deputado federal mais votado do estado, com 259 mil votos, o bolsonarista Luciano Zucco (PL-RS) acusou os dois lados de anteciparem a campanha eleitoral. Para Zucco, o fato é grave por ocorrer em meio à maior tragédia que se abateu sobre o estado.

"Com direito a comício, o agora ex-ministro da propaganda Paulo Pimenta foi nomeado para o Ministério Extraordinário da Reconstrução. Pego de surpresa e visivelmente contrariado com a jogada política do presidente Lula, o governador Eduardo Leite reagiu nomeando seu vice, Gabriel Souza, para cargo similar, mas em nível estadual", disse o parlamentar, que criticou a iniciativa de ambos.

"É desnecessário que ambos sejam nomeados para cargos com nomes pomposos, como se isso fosse preciso para coordenar o trabalho incansável que já vem sendo feito por milhares de voluntários e servidores públicos. O mais provável de acontecer é uma disputa por holofotes e protagonismo, na qual quem sairá perdendo será a própria população atingida", disse Zucco.

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