Cinco cooperativas estavam envolvidas em esquema de fraude milionária; grupo tinha contratos com 20 prefeituras alagoanas

Por: Rádio Sampaio com Gazetaweb
 / Publicado em 17/05/2024

Material apreendido durante operação. Divulgação/MPAL

Cinco cooperativas estão envolvidas na organização criminosa especializada em fraudes na administração pública, acusada de desviar mais de R$ 200 milhões no estado. A informação foi passada pelo Ministério Público de Alagoas, durante uma coletiva à imprensa nesta sexta-feira (17).  As cooperativas fazem parte do grupo criminoso desarticulado durante uma operação realizada na quinta-feira (16), em Alagoas e Pernambuco. Disfarçada de cooperativa de prestação de serviços ligados à administração pública, agiam na coleta de resíduos sólidos, limpeza de vias públicas e contratação de profissionais para diversas funções. Tudo isso era parte de um esquema destinado ao desvio de dinheiro público e enriquecimento ilícito dos envolvidos.

“Estamos verificando quais outros municípios contrataram essa e as outras cooperativas que estão atreladas a ela, fazendo o mesmo esquema de colocar pessoas sem concurso público nas prefeituras conforme indicações, gerando essa fraude em que o dinheiro vai parar com particulares”, comentou o promotor de Justiça Klever Valadares.

Contratos

Segundo as investigações, o grupo firmou contratos milionários com 20 municípios de Alagoas, movimentando R$ 243 milhões entre outubro de 2020 e março de 2023. O líder da quadrilha, o advogado Frederico Benigno Simões, segundo o MP, comprou um Porsche vermelho, modelo Carrera 911 e ano 2021, do ex-jogador Daniel Alves.  O veículo, avaliado em R$ 828 mil, foi apreendido em Petrolina (PE), onde mora o suposto líder do grupo que foi preso. O carro foi comprado e recebido pelo suspeito, mas ainda está no nome do jogador e não foi transferido para posse oficial da quadrilha.

Foram descobertos contratos estabelecidos com os municípios de Cajueiro, Quebrangulo, Porto de Pedras, Feira Grande, Pindoba, Carneiros, Olho d’Água das Flores, Mar Vermelho, Porto Real do Colégio, Pão de Açúcar, Estrela de Alagoas, Tanque d’Arca, Porto Calvo, Taquarana, Poço das Trincheiras, São Luís do Quitunde, Limoeiro de Anadia, Senador Rui Palmeira, Chã Preta e Flexeiras. Segundo as investigações, tais contratos foram firmados por meio de licitações por “carona”, ou seja, através de atas de adesão ao registro de preço, modalidade licitatória que facilita a contratação.

Prisões

Cinco pessoas foram presas durante a operação acusadas de peculato, fraude em licitações e contratos, falsidade ideológica, desvio e lavagem de dinheiro público, dentre outros ilícitos penais. A operação, intitulada Maligno, cumpriu um mandado de prisão em Maceió, três em Petrolina e mais um na cidade de Japaratinga, no Litoral Norte de Alagoas. Oito mandados de busca e apreensão também foram executados nas mesmas localidades.

O Ministério Público informou que ainda conseguiu que a 17ª Vara Criminal da Capital determinasse o bloqueio e sequestros de bens dos denunciados no valor de R$ 46 milhões.

Além do advogado Frederico Benigno Simões, foi presa a esposa dele, Hianne Maria da Costa Pinto, Alisson Barbosa Freitas, Betuel Ferreira de Souza e Silvano Luiz da Costa.

De acordo com a investigação, estima-se que integrantes da mesma organização operam outras falsas cooperativas de prestação de serviços, com contratos em mais municípios alagoanos e da região do Sudoeste baiano, cujo montante, por enquanto, ainda é incalculável, segundo o MP.

Apreensões

Além do Porsche, a operação apreendeu dados telemáticos, outros automóveis de luxo, além do sequestro de um Hotel Fazenda, na cidade de Sento Sé, na Bahia, pertencente a um dos integrantes do grupo. Somente em um dos alvos foi apreendida a quantia de R$ 649 mil. A principal empresa alvo da operação é de propriedade de um casal apontado como líder da organização criminosa, cuja cooperativa de fachada funcionava no bairro da Jatiúca, em Maceió.

Líder do grupo

O advogado preso na operação se identifica nas redes sócias como empreendedor e visionário. Mas, para o Ministério Público de Alagoas (MPAL), ele é o líder de uma organização criminosa que firmou contratos com 20 municípios alagoanos e movimentou R$ 243 milhões. Fred Simões, como se identifica, é dono de um hotel fazenda, na cidade de Sento Sé, na Bahia. O “Hotel Fazendinha” lhe rendeu também o apelido de Fred Fazendinha.

Além do hotel e do Porsche, Fred exibia nas redes sociais um novo interesse: a viticultura. No post mais recente em seu perfil, ele destaca uma imersão na “arte da viticultura” e posa com um cacho de uvas na Vinícola Miolo, em Porto Alegre. De acordo com a legenda, o preso estava vivenciando aprendizados que iriam enriquecer projetos futuros.

Quem também foi presa na mesma operação foi a esposa do advogado, Hianne Maria da Costa Pinto. Conforme o MP, ela atua na organização criminosa e aparece como sócia no Hotel Fazendinha. A mulher é também sócia em outras empresas, como a Segredo Apoio Administrativo, que já foi baixada.

Chama a atenção que, nos dados da empresa Segredo, que está em nome de Hianne, o telefone cadastrado é de Alisson Barbosa. Segundo o que o MP apurou, Alisson é o “testa de ferro” de Frederico Benigno. No apartamento onde Alisson foi preso, localizado no Edifício JTR, Torre México, foram apreendidos R$ 649 mil em espécie. Betuel foi preso na cidade de Japaratinga e Silvano Luiz em Petrolina.

 

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