Crianças mais expostas às telas conversam menos com os pais, revela estudo

Por: Pedro Ivon com CNN Brasil
 / Publicado em 09/05/2024

Foto: Colorado Parents

Um estudo recente publicado na revista médica JAMA Pediatrics, da Associação Médica Americana, revelou que quanto mais tempo uma criança fica exposta às telas - celulares, tablets, computadores, etc - menos ela conversa com os pais, o que afeta de forma negativa o seu desenvolvimento. O objetivo dos pesquisadores, que são australianos, era saber em que medida o uso de dispositivos tecnológicos por crianças pequenas afeta a interação com os adultos.

220 famílias com filhos na faixa de um ano de idade foram selecionadas para o estudo e foram acompanhadas até as crianças completarem três anos. Nesse meio tempo, a cada seis meses os menores passavam um dia usando um dispositivo de reconhecimento de fala que capta sons ambientes e registra o número de palavras ditas pelos adultos, as vocalizações das crianças e as conversas entre eles.

No dia selecionado para o teste, as crianças estavam em casa a maior parte do tempo.

Progressão e resultados

Inicialmente, o tempo de exposição às telas era de aproximadamente 1h30 por dia. Com o passar dos anos, o tempo aumentou de maneira gradativa até chegar a quase 3h diárias. Analisando as interações, viu-se que a quantidade de palavras tinha aumentado no período, mas houve uma associação negativa entre o tempo na frente das telas e as conversas.

Próximo aos três anos de idade, verificou-se que cada minuto a mais passado diante dos aparelhos digitais resultava em 6,6 palavras a menos emitidas pelos pais e 4,9 vocalizações a menos emitidas pelos filhos. Houve também uma interação verbal a menos com os adultos.

Segundo o pediatra do Hospital Israelita Albert Einstein, Claudio Schvartsman, a interação com os pais é essencial para o desenvolvimento de uma criança.

“A falta deixa o bebê mais introspectivo e reduz o vocabulário da criança. Há menos interação emocional e isso pode afetar a socialização e o desenvolvimento intelectual”, disse o médico.

Redução do tempo de telas

Os autores do estudo não esperam que as famílias abandonem o uso das telas, mas sugerem que haja programas e políticas voltados à redução do tempo nesses dispositivos e ao envolvimento dos pais durante o uso pelos filhos, de modo que as telas sirvam como um recurso para promover um ambiente com mais interação e conversa.

Schvartsman alerta que o uso excessivo de telas também torna as crianças mais imediatistas e rasas, e que acabam usando os aparelhos eletrônicos quando os adultos não interagem muito com elas.

“As crianças acabam usando esses aparelhos justamente em momentos em que os adultos querem interagir menos com elas, porque estão ocupados, por exemplo. Mas é preciso tomar muito cuidado, pois a tela é hipnotizante para a criança pequena e o excesso está criando uma geração voltada ao imediatismo e à rapidez, que é a antítese da profundidade”, explicou.

Posição da Sociedade Brasileira de Pediatria

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que crianças com menos de dois anos de idade não devem ter contato com aparelhos eletrônicos e que, entre dois e cinco anos, o uso deve ser limitado a apenas uma hora por dia. Além disso, os pais devem sempre supervisionar o uso dessas tecnologias.

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