
Exame mostrando o acumulo de placas beta-amiloide ligadas ao desenvolvimento do Alzheimer | Foto: Brian Snyder/Reuters
Um estudo publicado hoje (6), na revista Nature Medicine, revelou que 2% a 3% da população carrega um gene ligado ao desenvolvimento do Alzheimer. A pesquisa foi feita por membros do grupo de Neurobiologia e Demência, do Instituto de Pesquisa Sant Pau, em Barcelona, na Espanha.
O estudo teve mais de 10 mil amostras de pacientes na Europa e analisou cerca de 3.300 cérebros. Com isso, foi identificado a presença de duas cópias do gene Apoe4 em 95% dos adultos homozigotos, isto é, que possuem pares de genes idênticos, com 65 anos ou mais que apresentavam essa condição. Em 75% dos casos, os exames de PET-amiloide, usados para detectar placas da proteína beta-amiloide, ligadas ao Alzheimer, também indicaram a presença do gene.
“Agora, sabemos que quase todos os indivíduos que carregam duas cópias desse gene apresentam os sintomas de Alzheimer”, disse o primeiro autor do estudo e diretor da Unidade de Memória do serviço de Neurologia do instituto, Juan Fortea. “Isso significa que uma parcela significativa da população, até 3%, possui uma variante que é próxima da sua versão genética hereditária [que corresponde a cerca de 10% de todos os casos de Alzheimer], não apenas um fator de risco para a doença”, completou.
A presença das duas cópias do Apoe4 também indicou o desenvolvimento do Alzheimer em uma idade mais jovem. Com isso, é possível que no futuro existam exames que ajudem no diagnóstico precoce.
Os pesquisadores envolvidos no estudo acreditam que a descoberta pode ajudar a indicar novos caminhos para o desenvolvimento de medicamentos que combatam os sintomas da doença, reduzindo a formação de placas cerebrais que levam ao declínio cognitivo, por exemplo.
“Estamos vivendo um momento único nas pesquisas de Alzheimer, com a aprovação de duas drogas anti-amiloides nos últimos anos. Os centros de pesquisa têm aumentado o financiamento para estudos da condição e o nosso estudo se soma a esse esforço, indicando possíveis caminhos para investigar o avanço do Alzheimer conforme ele vai evoluindo”, disse o pesquisador do Centro de Supercomputador de Barcelona, Victor Montal.
A descoberta também pode indicar que portadores do gene Apoe4 têm um risco maior de desenvolvimento de uma alteração na ressonância magnética induzida por amiloides, ou Aria.
“Um possível impacto do nosso estudo é que, antes, a causa da demência era conhecida em menos de 1% dos casos, e agora identificamos fatores causas em mais de 15% das instâncias. Isso é de grande importância, e abre uma via para desenvolver terapias novas e mais seguras”, afirmou Montal.
