
Renato Cariani | Imagem: reprodução/YouTube
O Fantástico deste domingo (25) mostrou informações inéditas da investigação da Polícia Federal contra o empresário e famoso influenciador fitness Renato Cariani. São provas que estão na denúncia que o tornou réu na última semana por esquema de tráfico de drogas, associação ao tráfico e lavagem de dinheiro.
Aos mais de 7,5 milhões de seguidores em uma rede social, ele segue postando sobre o dia a dia. Dando orientação sobre alimentação e atividade física.
Mas mensagens encontradas pela Polícia Federal trazem novas evidências da relação de Cariani com um esquema de desvio de produtos químicos para o tráfico de drogas. O celular é de uma funcionária e amiga dele, que ainda vai ser investigada.
O aparelho foi apreendido em uma ação da PF contra o influencer e outras 12 pessoas. O Fantástico mostrou essa operação, em dezembro do ano passado. Segundo a denúncia aceita pela Justiça, Renato Cariani e outras pessoas produziram, venderam e forneceram mais de 12 toneladas de produtos químicos destinados à preparação de drogas.
“O grupo empresarial de Renato Cariani - com sede em Diadema, na Grande São Paulo - simulou a venda de insumos químicos para grandes pessoas jurídicas com o objetivo de ocultar o repasse dessas mercadorias para o refino e adulteração de cocaína e crack”, diz o documento da investigação, que aponta que entre 2014 e 2020 foram emitidas pelo menos 60 notas fiscais fraudulentas para três empresas, uma delas a farmacêutica AstraZeneca, que fez a denúncia em 2019.
“De acordo com a AstraZeneca, a empresa jamais adquiriu qualquer insumo da Anidro – empresa de Cariani”, diz a investigação.
Na época, Cariani apresentou à polícia um e-mail de negociação com um suposto representante da farmacêutica, Augusto Guerra e a investigação descobriu que essa pessoa não existe. Quem criou esse e-mail, segundo a PF, foi Fábio Spíndola. De acordo com a investigação, o elo entre Renato Cariani e traficantes de drogas.
Segundo as mensagens registradas no celular da funcionária de Cariani, Renato e Fábio fizeram uma viagem juntos, em 2015. Funcionária também foi e todos levaram seus companheiros. Em uma das conversas, Carinani discutiu com ela os preparativos.
“Você vai querer os dólares? O amigo do Fabinho vai acabar vendendo tudo e você vai ficar sem. Amanhã ele vai lá na empresa entregar os meus R$ 2 mil dólares que comprei com amigo dele”, diz o influencer.
Para o Ministério Público, a viagem a Cancún comprova que Cariani e Fábio eram amigos. Inclusive, as esposas tinham fotos juntas na rede social.
Outra evidência coletada pela PF: em maio do ano passado, Cariani pediu a Fábio para ir à sede da Anidrol para uma conversa.
“Coincidentemente, no mesmo dia em que Fábio foi preso pela operação Downfall, da Polícia Federal do Paraná”, diz o procurador de justiça Juliano Atoji.
A operação citada pelo procurador foi a que desarticulou um esquema que usava mergulhadores para colocar drogas nos cascos de navios. De acordo com as investigações, Fábio tinha ligações com o chefe da quadrilha.
“Fornecia contas bancárias de empresas sua e da sua esposa para movimentar esse dinheiro do tráfico", conta o delegado da PF, Eduardo Verza.
