
João Muniz Leite | Foto: reprodução/redes sociais
Em um depoimento à Polícia de São Paulo na última terça-feira (20), o contador João Muniz Leite (60), que já prestou serviços contábeis para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e para o filho deste, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, admitiu ter prestado serviço para o ex-chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC), Anselmo Becheli Santa Fausta, conhecido como “Cara Preta” ou “Magrelo”, que foi vítima de homicídio.
Além disso, Leite também contou que ganhou 250 vezes em loterias, ganhando a soma de R$ 20 milhões. Segundo o Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), as apostas muitas vezes superaram os valores dos prêmios. A suspeita da polícia é de que o objetivo disso era esquentar o dinheiro ilegal, isto é, fazer lavagem de dinheiro.
Sobre o caso
Cara Preta foi assassinado em 27 de dezembro de 2021, no Tatuapé, na zona leste de São Paulo. Em 2022, a 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro da Justiça Estadual de São Paulo determinou que R$ 45 milhões em imóveis e ônibus integrantes do PCC e de João Muniz fossem bloqueados.
Em seu depoimento, Leite disse que conhecia Cara Preta apenas pelo nome de Eduardo Camargo de Oliveira, uma identidade falsa usada pelo traficante para comprar empresas e lavar parte do dinheiro obtido através do narcotráfico. O contador conheceu o ex-chefe do PCC através do empresário Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, que foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF), em 2023, por lavagem de dinheiro da referida facção e por ser o suposto mandante do assassinato de Magrelo.
Depois da morte de Cara Preta, a cúpula do PCC ordenou os assassinatos dos traficantes Cláudio Marcos de Almeida, o Django, e Noé Alves Schaum. Aquele foi obrigado a se enforcar sob o viaduto da Vila Matilde, na zona leste, em janeiro de 2022; Schaum, por outro lado, foi esquartejado e teve a cabeça abandonada em uma praça de Tatuapé.
Segundo o MPF, Gritzbach teria dado um golpe de R$ 100 milhões em Magrelo, apropriando-se de investimentos em criptomoedas. Na véspera de Natal de 2023, ele escapou de um atentado em seu apartamento.
O advogado do empresário, entretanto, negou o envolvimento dele com o assassinato de Cara Preta.
“Desafio qualquer um a apresentar uma prova de que o Vinícius operava criptomoedas para o Anselmo (Cara Preta) . É invenção para motivar a acusação de mando do homicídio. Meu cliente era apenas um corretor de imóveis, jovem e ganancioso, que vendeu imóveis de luxo a pessoas erradas. Querem transformá-lo em bode expiatório. Por que a polícia não indiciou os compradores dos imóveis? É uma história macabra”, disse o advogado Ivelson Salotto.
Durante a operação Lava Jato, no caso do triplex no Guarujá, João Muniz chegou a ser ouvido como testemunha e afirmou ter declarado o imposto de renda de Lula entre os anos de 2011 e 2015, no escritório de Roberto Teixeira, que também fez parte da carteira de clientes de Leite por 14 anos.
Além disso, dados da Junta Comercial de São Paulo, de novembro de 2019 a julho de 2023, Lulinha manteve uma de suas empresas, a G4 Entretenimento e Tecnologia Digital, registrada no mesmo endereço do escritório de Leite.
A defesa do filho de Lula disse que as investigações contra o contador nunca atingiram seu cliente. O Planalto afirmou que o atual presidente do Brasil não tem laços com Leite e apenas utilizou dos seus serviços algumas poucas vezes.
