


Hoje (10), a presidente da Hungria, Katalin Novak, renunciou o cargo depois de sofrer pressão por perdoar um homem condenado como cúmplice de acobertar um caso de abuso sexual em um abrigo infantil. Em abril de 2023, a presidente perdoou cerca de 20 pessoas, incluindo o vice-diretor do lar de crianças, que ajudou o ex-diretor do local a esconder os crimes.
“Cometi um erro. Hoje é o último dia em que me dirijo a vocês como presidente”, disse Novak, durante um discurso transmitido pela televisão estatal. “Tomei a decisão de conceder o indulto em abril passado acreditando que o condenado não abusou da vulnerabilidade das crianças que ele supervisionava. Cometi um erro porque o perdão e a falta de fundamentação foram adequados para suscitar dúvidas sobre a tolerância zero que se aplica à pedofilia”, declarou.
Novak ainda pediu desculpas a todos que magoou e às vítimas que tiveram a impressão de não terem sido apoiadas. A presidente é ex-ministra dos Assuntos da Família.
Partidos da oposição haviam exigido a demissão de Novak e mil manifestantes se reuniram em seu gabinete, pedindo que ela deixasse o cargo.
O homem perdoado por Katalin Novak foi condenado em 2018, por pressionar as vítimas de pedofilia a retirarem as alegações de abuso sexual contra o diretor do lar infantil estatal, que foi condenado a oito anos por abusar de pelo menos 10 crianças, entre 2004 e 2016.