
Renato Cariani | Foto: reprodução
Nesta terça-feira (30), o inquérito contra o empresário e influenciador fitness Renato Cariani (47) foi encerrado pela Polícia Federal (PF) e encaminhado ao Ministério Público (MP) de São Paulo, que vai decidir as medidas que serão tomadas a respeito do caso. Cariani é suspeito de envolvimento em um esquema de desvio de produtos químicos para a fabricação de drogas.
Ao todo, três pessoas foram indiciadas por tráfico equiparado, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. Além de Cariani, estão na lista a sócia do influenciador em uma empresa para venda de produtos químicos, Roseli Dorth, e o suposto intermediário Fábio Spinola Mota, apontado como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Em 2023, Mota foi preso durante a operação Downfall, que investigou esquema de “tráfico internacional e interestadual de drogas, com diversas ramificações no país”. A PF considera o indivíduo como intermediador entre Cariani e o PCC.
“O indiciamento de Renato ocorreu há mais de 40 dias, antes mesmo de eu ter tido a oportunidade de prestar esclarecimentos. De igual forma, as conclusões da Autoridade Policial expostas no relatório são equivocadas e vêm sendo contraditadas no curso do procedimento”, declarou o advogado Aldo Netto. “Apresentamos ao juízo dezenas de documentos que comprovam que Renato jamais participou de qualquer atividade ilícita e temos a certeza de que sua inocência será reconhecida pela Justiça”, afirmou.
A PF chegou a encontrar, no final de 2023, R$ 100 mil em espécie na casa de Mota.
A polícia acredita que parte do material adquirido legalmente pela Anidrol Produtos para Laboratórios Ltda., empresa na qual Dorth era sócio de Cariani, era desviada para a produção de cocaína e crack. A investigação indica que foram desviadas cerca de 12 toneladas de produtos como acetona, éter etílico, ácido clorídrico, cloridrato de lidocaína, manitol e fenacetina, todos utilizados para transformar a pasta base de cocaína em pó ou pedras de crack.
A saída dos produtos da Anidrol seria justificada através de notas fiscais falsas e depósitos em nome de laranjas, usando o nome da multinacional AstraZeneca. O conglomerado farmacêutico negou o envolvimento com a Anidrol.
Ainda durante a investigação, Cariani apresentou uma troca de mensagens com um suposto funcionário da AstraZeneca, chamado Augusto Guerra. Entretanto, a análise telemática mostrou que foi Mota quem registrou um domínio na internet em nome da farmacêutica, com extensão “com.br”, e criou um e-mail em nome do funcionário fantasma.
Tanto o influenciador quanto os outros suspeitos devem ser denunciados por acusação de tráfico equiparado e associação para fins de tráfico, bem como pelo crime de lavagem de dinheiro. As penas podem ultrapassar 35 anos de reclusão.
