
Aedes aegypti | Foto: Raul Santana/Fundação Oswaldo Cruz/divulgação
O fenômeno El Niño e as mudanças climáticas colaboram com o aumento de casos de dengue no Brasil, segundo o diretor do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Eder Gatti Fernandes. O país tem sofrido uma alta da doença, que causou um recorde de mortes em 2023.
O El Niño é um fenômeno que tem promovido uma elevação da temperatura nas Américas e próximo ao Oceano Pacífico, o que contribui para a proliferação dos mosquitos Aedes aegypti, que transmitem a doença.
“Certamente contribuiu para esse momento de alta incidência da dengue, pelo fato do impacto dessas mudanças climáticas nas arboviroses”, declarou Fernandes, relembrando que modelos matemáticos já mostravam a possibilidade do aumento dos casos, semelhante ao que ocorreu em 2015 e 2016, quando o El Niño também influenciou na propagação da doença.
No início deste ano, foram registrados 38,1 mil casos de dengue. No mesmo período, em 2023, foram 12,6 mil, o que representa um aumento de 202,4%. Ainda em 2023, foram registrados, no total, 1.658.616 casos da doença e 1.094 mortes. Até metade deste mês de janeiro, foram registradas seis mortes. Até o momento, Distrito Federal, Goiás, Acre, Paraná e Minas Gerais são as áreas de maior incidência.
Comparando com dezembro do ano passado, este mês teve um aumento de 77% na procura por testes laboratoriais para a enfermidade, segundo os dados preliminares da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed).
De acordo com o diretor do Ministério da Saúde, a pasta tem tomada providências para combater a dengue, como a criação de uma Sala Nacional de Arbovirose, em conjunto com representantes de estados e municípios. Também estão sendo repassados recursos para entes federados e feitas campanhas de conscientização e promoção de capacidade e manejo clínico.
