


Na última quarta-feira (17), documentos compartilhados com legisladores dos Estados Unidos revelaram que a sequência genética do vírus SARS-CoV-2, que causa a covid-19, foi submetida a uma base de dados do Instituto Nacional de Saúde (NIH, no inglês) dos EUA duas semanas antes da divulgação pelo governo chinês. À CNN, um especialista disse que, apesar de não mostrar a origem do vírus, a sequência contradiz as afirmações da China sobre o seu conhecimento da informação.
Em 28 de dezembro de 2019, a sequência genética foi submetida ao GenBank pela virologista Drª. Lili Ren, do Instituto de Biologia de Patógenos da Academia Chinesa de Ciências Médicas e da Peking Union Medical College. O GenBank é um repositório que coleta, preserva e fornece acesso público para dados de sequência de nucleotídeos montados e anotados de todos os domínios da vida, sendo administrado pelo Centro Nacional de Informações sobre Biotecnologia do NIH.
A submissão da sequência foi excluída da fila de processamento em 16 de janeiro de 2020. Uma carta da secretária assistente de legislação do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, Drª. Melanie Egorin, revela que a submissão de Ren “estava incompleta e não continha as informações necessárias para publicação”. Contudo, em 12 de janeiro, uma sequência genética “quase idêntica” à de Ren foi publicada no banco de dados. Isso se deu um dia depois da Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmar ter recebido a sequência da China.
O virologista do Fred Hutchinson Cancer Center, Jesse Bloom, escreveu, no dia 17, em uma análise da submissão de Lili Ren, que ela “falsifica claramente a afirmação do governo chinês de que o agente causador do surto de pneumonia em Wuhan ainda não havia sido identificado perto do final da primeira semana de janeiro de 2020”. Ele ainda disse que a submissão de sequência anterior “teria fornecido informações adequadas para iniciar a produção da vacina no final de 2019 se tivesse sido tornada pública”.
Bloom também disse que “é improvável que [a sequência genética] represente o primeiro vírus que infectou humanos” e não fornece quaisquer novos conhecimentos sobre a origem ou propagação precoce do SARS-CoV-2 em Wuhan.
O Subcomitê de Saúde e o Subcomitê de Supervisão e Investigações disseram, também no dia 17, que a investigação sobre as origens da covid-19 ajudará os legisladores a fortalecer as práticas de biossegurança do país, além de também colaborar para uma preparação para uma eventual próxima pandemia.