
Foto: Sandy James/DP Foto
Na última quinta-feira (18), o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, disse que custará entre R$ 6 bilhões e R$ 8 bilhões à estatal concluir as obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. As obras haviam sido paradas em 2015, depois da descoberta do esquema de corrupção investigado pela Lava Jato, e foram retomadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Até agora, a Petrobras gastou cerca de R$ 90 bilhões no projeto.
O orçamento original da obra era de R$ 12 bilhões.
Na cerimônia de ontem, onde Lula retomou o projeto, Prates defendeu o investimento e disse que a refinaria terá uma receita equivalente ao seu custo no primeiro ano de operação completa, previsto para 2028. O presidente da estatal também falou que a refinaria poderá resistir para além da era dos combustíveis fósseis, pois processará diesel com o uso de insumos vegetais.
“Essa é uma refinaria de cem anos, é uma refinaria para depois que o petróleo acabar", disse. "Isso aqui não faz combustível fóssil, faz energia líquida. Hoje, o mais acessível para a população e o que menos dá trabalho para produzir é o hidrocarboneto, mas vai produzir hidrogênio, vai produzir diesel renovável”, continuou.
Lula também defendeu a refinaria e questionou a paralisação de suas obras por conta da Lava Jato. “Imagine quanto dinheiro o Brasil perdeu com esses dez anos de obras paradas", declarou.
TCU vê a obra como malogro comercial bilionário
Em 2021, o Tribunal de Contas da União (TCU) disse que a obra é um exemplo de “como uma ideia virtuosa e promissora pode se transformar num malogro comercial bilionário”. A afirmativa está em um caderno sobre o projeto, lançado em 2021. De acordo com o ministro Benjamin Zymler, o projeto subverteu um sistema de governança sofisticado, de modo que enredou toda a alta administração da empresa em um esquema de corrupção e desvio de recursos.
Retomada das obras
Com a retomada das obras, será feita uma ampliação da capacidade da primeira unidade da refinaria, inaugurada em 2014. O contrato foi assinado com a construtora Engecampo, custando R$ 91,7 milhões. Posteriormente, a segunda unidade será concluída.
Ao fim de tudo, a Petrobras poderá, em tese, passar de 100 mil para 260 mil barris por dia, com foco na produção de diesel.
