


O presidente da Guiana, Irfaan Ali, disse em carta enviada nesta terça-feira (12), a líderes latino-americanos que não pretende abordar a questão de Essequibo na reunião com o presidente venezuelano, Nicolás Maduro. O encontro acontece nesta quinta-feira (14), durante uma reunião de líderes da Comunidade do Caribe (Caricom).
A carta foi enviada ao primeiro ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves, em cópia a Maduro e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No documento, Ali diz que sua presença no evento já era programada, antes mesmo da proposta de reunião com Maduro e que não pretende discutir a questão de Essequibo.
“Resolver a fronteira terrestre não é assunto para discussões bilaterais e a questão está devidamente resolvida pelo Tribunal Internacional de Justiça”, diz a carta. No começo do mês, o Tribunal Internacional de Justiça decidiu que a Venezuela se abstenha de tomar qualquer tipo de ação que possa alterar a situação do território de Essequibo.
Ali elenca uma série de fatores que dão autonomia do território à Guiana. “A Venezuela aceitou e reconheceu essa fronteira como a fronteira internacional entre os dois Estados, conforme refletido em todos os mapas oficiais do país publicados durante este período de mais de 60 anos”, diz o líder da Guiana.
A carta ainda refuta as alegações de Maduro sobre a área de descoberta petrolífera: “Ressalto que, ao contrário das afirmações enganosas (de Maduro), todos os blocos de petróleo estão localizados dentro das águas da Guiana ao abrigo do direito internacional”.
Ali relembra da s acusações de Maduro de que os Estados Unidos estariam interferindo na questão de Essequibo, ao realizar uma operação de voo ao lado do exército da Guiana.
“Quanto à alegação ainda mais imprecisa de que há ‘intromissão dos Estados Unidos, que iniciaram operações no território disputado’, o governo da Guiana mantém o seu direito soberano de se envolver em qualquer forma de cooperação com os seus parceiros bilaterais e não apoia a intervenção nos assuntos internos de qualquer outro Estado”, diz a carta.
Na época Maduro disse: “Estados Unidos, eu aconselho, longe daqui. Deixem que a Guiana e a Venezuela resolvam este assunto em paz”.
Ali finaliza reafirmando seu comprometimento de falar com Maduro e agradece aos países que estão mediando a questão, incluindo o Brasil e integrantes da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC).
“Permita-me assegurar-lhe, caro colega, que estou preparado para falar com o presidente Maduro sobre qualquer outro aspecto que possa contribuir para melhorar e fortalecer a amizade e relações entre os nossos dois países”, finaliza.