


A população venezuelana irá às urnas no próximo dia 3 de dezembro para decidir, em um plebiscito, se anexa a região de Essequibo, faixa oeste da Guiana, ao país. A iniciativa ligou alertas no Palácio do Planalto, no Itamaraty e no Ministério da Defesa. Fontes disseram ao Valor Econômico que existe o potencial de acontecer "uma guerra no quintal do Brasil".
O interesse nas reservas de petróleo e desviar a atenção da crise política econômica são as razões da disputa entre Venezuela e Guiana, segundo apontam especialistas ouvidos pelo Valor.
A parte em questão é Essequibo, região à esquerda da margem do rio que leva o mesmo nome e conta com 159,5 mil quilômetros quadrados, cerca de 70% do território atual da Guiana. Essequibo concentra as reservas de petróleo guianense estimadas em 11 bilhões de barris.
O pesquisador Leonardo Paz, do Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional da FGV (FGV NPII), indica que a Venezuela está interessada também na infraestrutura do país vizinho.
“A Venezuela está mais preocupada em aumentar a quantidade de petróleo explorado pela ExxonMobil na Guiana sem precisar investir para explorar”, afirma Paz.
Por outro lado, o plebiscito tem o objetivo de fomentar o sentimento nacionalista e unir a população venezuelana e desviar o foco dos problemas econômicos do país, diz Carolina Silva Pedroso, professora de relações internacionais da Unifesp.
“A questão Essequibo mobiliza o sentimento nacionalista venezuelano. Essa é uma das poucas pautas que une as linhas ideológicas locais, pois há um sentimento de injustiça pelo território que ficou com a Guiana. Ao mesmo tempo, Maduro quer desviar a atenção dos problemas econômicos em meio às primárias da oposição ”, fala Carolina.