


Sob mediação do Catar, Egito e EUA, Israel e o grupo fundamentalista islâmico Hamas chegaram nesta quarta-feira (21) a um acordo para um cessar-fogo temporário em Gaza, em troca da libertação de 50 dos quase 240 reféns sequestrados pelo grupo durante o ataque de 7 de outubro, que também deixou 1,2 mil mortos em solo israelense.
"O governo de Israel está comprometido com a tarefa de trazer todos os sequestrados para casa. Na noite de hoje, o governo aprovou as linhas gerais para o primeiro passo para atingir esse objetivo, segundo o qual pelo menos 50 reféns — mulheres e crianças — serão libertados ao longo de quatro dias, durante os quais haverá uma pausa nos combates", diz o comunicado do escritório do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. "Para cada dez reféns a mais que forem libertados, haverá mais um dia de pausa nos combates."
Embora o comunicado não faça referência a quantos prisioneiros palestinos estarão envolvidos no acordo, o Hamas confirmou à agência Reuters as informações preliminares que davam conta de até 150 pessoas envolvidas na troca. A nota tampouco faz menção ao acesso de ajuda humanitária em Gaza, e ao acesso da a Cruz Vermelha aos reféns que continuarão sob custódia, garantindo seu acesso a medicamentos, mas fontes extraoficiais afirmem que o acordo também garantirá a entrada de cerca de 300 caminhões de ajuda por dia, bem como combustível adicional.
Segundo o Canal 12, citando fontes do governo israelense, a libertação e transferência dos reféns de Gaza para Israel ocorrerá em cinco etapas. Primeiro, o Hamas deverá entregá-los à Cruz Vermelha, que os levarão até representantes das Forças Armadas de Israel. Em seguida, serão submetidos a um exame médico inicial e levados a um dos seis hospitais que foram preparados para recebê-los. Lá, eles se reencontrarão com suas famílias. Nas duas últimas etapas, as autoridades avaliarão quais reféns estão em condições de relatar o que aconteceu para, só então, serem submetidos a um interrogatório.
Antes do início das conversações, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que esperava ter "boas notícias" em breve. Antes da votação final, ele assegurou que "nós não vamos parar depois do cessar-fogo".
— Quero esclarecer: estamos em guerra, continuaremos em guerra, continuaremos em guerra até atingirmos todos os nossos objetivos. Destruiremos o Hamas, devolveremos todos os nossos sequestrados e desaparecidos e garantiremos que em Gaza não haverá nenhum partido que represente uma ameaça a Israel — afirmou o premier.
O porta-voz das Forças Armadas de Israel, Daniel Hagari, também ressaltou nesta terça-feira que o acordo não afetará o objetivo principal dos militares: eliminar o grupo terrorista. Ele também acrescentou que as famílias dos reféns seriam informadas primeiro sobre a aprovação da iniciativa antes dela vir a público.