Governo francês quer confiscar celulares e proibir perfis de redes sociais de autores de bullying nas escolas

A prática do bullying prejudica o desenvolvimento psicológico das crianças e adolescentes, afetando-as principalmente em sua autoestima (Mikhail Nilov/Pexels)

O bullying nas escolas volta à tona na França, devido ao caso recente de um jovem que cometeu suicídio após ter sido assediado durante meses por dois colegas. Nicolas, de 15 anos, resolveu tirar a própria vida no último 5 de setembro ao perceber que as próprias autoridades administrativas não conseguiam encontrar uma saída para o seu caso.

A morte do adolescente ganhou uma forte repercussão nas mídias francesas e chegou a sensibilizar a primeira-dama da França, Brigitte Macron. A mãe e o pai de Nicolas contaram à imprensa que alertavam, desde o ano passado, inspetores da escola onde o garoto estudava, em Poissy, na periferia de Paris, sobre dois colegas que o importunavam com violências físicas e psicológicas.

Após uma primeira tentativa de suicídio de Nicolas, em janeiro deste ano, a família se desesperou e apelou a todas as medidas possíveis para evitar uma tragédia. Os pais registraram um boletim de ocorrência na polícia e acionaram os gestores do sistema de educação local e regional, mas sem obter resultados.

Além de o assédio contra Nicolas continuar, a família recebeu como resposta do serviço jurídico do reitorado local uma carta sugerindo “denúncias caluniosas”. O texto também lembrou o risco que o pai e a mãe do garoto corriam de serem condenados a uma pena de cinco anos de prisão e a pagar uma multa de € 45 mil pelo comportamento considerado “desrespeitoso”.

“Nós éramos vítimas e nos tornamos culpados!”, diz Béatrice, mãe de Nicolas, ao Journal du Dimanche. Em entrevista ao diário, ela descreve um adolescente calmo e gentil, que passou a desconfiar de todo mundo após ser vítima de assédio na escola. “Nicolas conhecia todos os casos de bullying com adolescentes que terminaram em tragédia nesses dois últimos anos. Ele se dizia indignado com a falta de soluções para essa situação”, reitera.

Toque de recolher digital

Na próxima quarta-feira (27), o governo pretende apresentar mais medidas contra o assédio nas escolas, principalmente contra o cyberbullying. O jornal francês Le Parisien teve acesso ao plano e revelou nesta sexta-feira (22) cinco pontos principais desse novo programa.

Entre as principais medidas estão o controle do acesso de adolescentes às redes sociais, para impedir que menores de 15 anos se inscrevam nessas plataformas sem o acordo parental. Autores de bullying também poderão ter seus celulares confiscados e podem ter que obedecer a um “toque de recolher digital”, das 8h às 18h.

Além disso, o governo está refletindo sobre a criação de “brigadas antibullying”, com grupos formados por professores, inspetores e psicólogos para lutar contra o assédio nas escolas. O Ministério da Educação também pretende distribuir questionários a todos os alunos da França com o objetivo de identificar crianças e adolescente que estejam sendo assediados na escola.

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