


Quando os moradores de um aglomerado de favelas na região de Janta Camp, em Nova Delhi souberam que a cúpula do G-20 seria realizada na capital indiana, a apenas 500 metros de suas casas, eles esperavam que isso também os beneficiassem.
Em vez disso, eles ficaram sem teto. Dharmender Kumar, Khushboo Devi e seus três filhos estavam entre as dezenas de pessoas em Delhi cujas casas foram demolidas nos últimos meses — uma ação que, segundo moradores e ativistas, faz parte do trabalho de embelezamento para a cúpula do G20, que ocorre entre os dias 9 e 10 de setembro.
Alguns dos moradores da favela recorreram à alta corte para impedir os despejos, mas o tribunal considerou os assentamentos ilegais. As autoridades municipais, então, ordenaram que eles desocupassem o local até 31 de maio.
Autoridades do governo do primeiro-ministro Narendra Modi, responsáveis pelas demolições, afirmam que as casas foram construídas ilegalmente em terras do governo e que sua remoção foi “uma atividade contínua”.
As casas em favelas como a de Janta Camp são construídas ao longo dos anos, como uma colcha de retalhos. A maioria dos moradores trabalha nas proximidades e vive há décadas dentro dos limites de suas pequenas casas.
As demolições começaram há quatro meses. Escavadeiras chegaram em uma manhã quente de maio, com imagens de vídeo da demolição mostrando casas temporárias sendo destruídas, enquanto os antigos moradores assistiam, alguns deles em lágrimas.
“O governo está demolindo casas e removendo pessoas vulneráveis em nome do embelezamento, sem qualquer preocupação sobre o que lhes irá acontecer”, disse Sunil Kumar Aledia, do Centro para o Desenvolvimento Holístico, com sede em Nova Delhi, que trabalha com os sem-teto.
Pelo menos 49 ações de demolição em Nova Delhi entre 1º de abril e 27 de julho resultaram na recuperação de quase 93 hectares de terras do governo, disse o ministro da Habitação, Kaushal Kishore, ao Parlamento em julho.
“Nenhuma casa foi demolida para embelezar a cidade para a cúpula do G20”, declarou ele.