
Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress
O ex-ministro Ciro Gomes, que durante a campanha de 2022 prometeu retirar os brasileiros do SPC, diz que o ‘Programa Desenrola Brasil’, em vigor a partir de ontem (17), não tem nada a ver com sua proposta original e que “só é bom para os bancos”.
“Tem cheiro de picaretagem grossa, estatização via garantia do Tesouro de débitos que não valem muito e juros tabelados de quase 27% ao ano para o valor renegociado. Só é bom para os bancos, então. Para se ter uma ideia, o perdão até 100 reais só suspende o registro no SPC, mas não cancela o débito. Chega a ser chocante. Lula não decepciona!”, disse o ex-ministro.
Ciro lembra que o desconto no feirão do Serasa, que havia prometido, era de 90%. Em seu programa de governo, ele explicava que a dívida média de cada brasileiro que está com o nome sujo é de 4.200 reais, mas cerca de 80% disso é juro sobre juro, multa, comissão de permanência e outras taxas. Sua ideia era “utilizar a força do Governo Federal para negociar essas dívidas com os credores (cartões de crédito, bancos, concessionárias de serviços públicos, lojas etc.), conseguir o máximo de desconto e derrubar esse valor para cerca de R$ 1.400,00 – um desconto médio de quase 70% na dívida.”
Ainda segundo Ciro, os bancos assumiriam o principal ônus nas negociações. Já o Desenrola deixa a conta principal para o próprio devedor e boa parte para o Tesouro. Ou seja, beneficiará muito mais os bancos, que poderão utilizar os acordos como créditos tributários de forma antecipada em seu balanço, projetando melhores resultados. Alguns analistas avaliam que o melhor momento para se renegociar as dívidas será após a queda da taxa Selic, prevista para agosto.
