
Brasileiro que viveu por mais tempo com coração transplantado morre em Alagoas
A primeira pessoa a passar por um transplante de coração no Nordeste e a que viveu por mais tempo com um coração doado no Brasil morreu na madrugada desta terça-feira (11), em casa, na cidade de Santana do Mundaú, interior de Alagoas.
Francisco Sebastião de Lima, de 51 anos, recebeu o coração doado em março de 1989, em uma época em que transplantes de coração só eram realizados em São Paulo, no Paraná e no Rio Grande do Sul. Ele viveu por 34 anos após o transplante feito pelo médico alagoano José Wanderley Neto, em Aracaju (SE).
"Com muito pesar, comunico o falecimento de Francisco Sebastião, que aos 17 anos fez o primeiro transplante da região e também se tornou o transplantado mais longevo do Brasil", disse o médico e deputado estadual Dr. Wanderley (MDB) em sessão na Assembleia Legislativa de Alagoas.
O transplante foi realizado em uma parceria entre os estados de Alagoas e Sergipe. Francisco se recuperou da cirurgia e voltou para casa, na Zona da Mata alagoana, onde viveu até então. Nos últimos meses ele passava por tratamento contra um melanoma.
Durante seu pronunciamento na Assembleia, o médico que liderou o transplante disse que a sobrevivência de Francisco por mais de três décadas depois do transplante marcou a história da cardiologia.
Antes dele, ainda segundo o cardiologista, tinha sido o advogado paulista Tanabi Waldir de Carvalho o mais longevo paciente com coração transplantado. Ele faleceu aos 82 anos, 32 anos após o transplante.
Ao longo de três décadas, Doutor Wanderley e sua equipe fizeram mais de 50 transplantes cardíacos em Alagoas.
