
Homem é agredido após denunciar ex-vereador na Câmara de Brumadinho
Um morador de Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi agredido na Câmara da cidade no momento em que fazia uma denúncia contra o ex-vereador Guilherme Morais (sem partido). A confusão aconteceu durante sessão oficial nesta quinta-feira (23).
A Câmara de Brumadinho recebeu um pedido de cassação do mandato de Guilherme Morais pela manhã. Na abertura da sessão parlamentar, Guilherme entregou à presidência da casa legislativa uma carta com o pedido de renúncia, com efeito imediato. O gabinete ocupado pelo ex-vereador deve ser ocupado por um suplente.
Um servidor da Câmara Municipal, que preferiu não se identificar temendo represálias, contou sobre a confusão. Segundo o relato, a agressão ocorreu no momento em que o pastor Marcelo Rodrigues dos Santos dava testemunho de um suposto caso de abuso sexual envolvendo o então vereador.
A denúncia coloca Guilherme Morais como suspeito de ter abusado sexualmente um adolescente que, na ocasião do suposto crime, tinha 17 anos. O pastor foi interrompido com um soco por um apoiador do ex-vereador, identificado como Sirleno Gonçalves. Surpreendida, a vítima caiu ao chão e continuou sendo agredida.
O servidor também afirmou que Sirleno já teve passagens pela polícia por dano ao patrimônio público, após depredar a Câmara de Brumadinho em outra ocasião.
Gabriel Morais é primo do ex-parlamentar e também se envolveu na confusão e foi contido e algemado por policiais militares. Segundo testemunhas, Gabriel estava armado.
Francisco Nonato, conhecido como Chicão, que é pai de Guilherme Morais e ex-policial civil, também tentou intervir em ação da Polícia Militar, que foi acionada para encerrar a briga no plenário, afirmam testemunhas.
O advogado Bruno Silva, que defende o homem agredido e o rapaz supostamente abusado pelo ex-vereador, classificou o episódio como “deplorável”.
“É extremamente ofensivo ao estado democrático não deixar uma mãe ser ouvida, uma vítima ser ouvida. Não deixar um denunciante ser ouvido. Começaram a gritar, a falar palavras de baixo calão. Por fim, tudo isso desaguou em agressões. O pastor Marcelo, que estou representando, foi agredido por diversas pessoas, inclusive, parentes do ex-vereador Guilherme Morais”, disse Bruno.
Todos os envolvidos foram encaminhados para a delegacia, onde prestaram depoimento.
Uma outra moradora se inscreveu para falar no plenário da Câmara de Brumadinho, mas não teve chance. A intenção dela era dar o testemunho sobre outra acusação que pesa contra o ex-vereador Guilherme Morais.
A mulher aponta que Guilherme praticou estelionato ao fazer a compra de um carro de luxo, utilizando 24 folhas de cheque. A denúncia sustenta que o ex-vereador cancelou 15 desses cheques antes que eles pudessem ser compensados. E não completou o pagamento do veículo.
O ex-vereador foi expulso do Partido Verde (PV) por supostos desvios éticos, entre eles, uma suposta festa de aniversário durante período de isolamento social da Covid-19. O processo administrativo interno aguardava a defesa de Guilherme, que não se manifestou no prazo regimental de 15 dias. O partido decidiu pela saída dele.
Guilherme Morais foi o vereador mais votado nas últimas eleições para o cargo de vereador, em Brumadinho. De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), o ex-parlamentar foi eleito com 1.041 votos.
O ex-vereador Guilherme Morais afirmou que: "ambas denúncias são improcedentes. Confio na justiça e comprovarei minha inocência!"
"Sobre os fatos ocorridos ontem (23), na Câmara Municipal de Brumadinho, a Polícia Civil informa que três homens, de 22, 44 e 47 anos, foram conduzidos pela Polícia Militar e ouvidos, na presença de seus procuradores, pela Autoridade Policial da Central Estadual do Plantão Digital. Um procedimento investigativo foi instaurado e, em seguida, eles foram liberados e seguem sendo investigados.
Já em relação ao vereador, a PCMG informa que há Inquérito Policial em tramitação na Delegacia de Polícia Civil de Brumadinho para apurar denúncia de assédio sexual. A investigação segue com diversas oitivas e diligências visando a completa elucidação do caso".
