
‘Derrota dolorida, porém em paz comigo mesmo’, diz Tite ao confirmar saída da Seleção
O jogo contra a Croácia foi o último da Seleção Brasileira sob o comando de Tite.
Pela segunda vez nas quartas de final de uma Copa, Tite poderia dar um passo adiante. Desde 20 de junho de 2016, todas as escolhas, todas as ideias de Tite como treinador da Seleção tinham que dar resultado naquele momento. E depois de 116 minutos, um lance comprometeu tudo.
“Primeiro estávamos em uma ação ofensiva, botando volume, tendo um jogador de retenção na frente, e a jogada foi quebrada. Nós conseguimos voltar e fechar a parte central do campo, onde normalmente acontecem os cruzamentos, porque eles estavam com dois atacantes. Mas a bola veio para trás, finaliza, desvia e entra, em uma única finalização”, analisa Tite.
Tite agora faz companhia a Telê Santana no grupo de treinadores da Seleção com duas Copas seguidas e nenhum título.
“Derrota dolorida, porém em paz comigo mesmo. Fim de ciclo”, diz Tite.
Foram 81 jogos, com seis derrotas e 15 empates. A trajetória de Tite na Seleção mostra como os números às vezes não explicam o futebol. Um desses 15 empates é o jogo desta sexta-feira (9), uma derrota muito doída.
Como pesar na balança os 80% de aproveitamento, número raro para um treinador, diante da tristeza em duas Copas? Neste momento, o próprio Tite não consegue avaliar.
“Não tenho condição de avaliar todo o trabalho realizado. Não tenho essa grandeza, plenitude agora depois de uma eliminação nos pênaltis. Não tenho essa capacidade”, afirma.
Para quem olhasse só para o treinador, nada indicava que esse jogo seria diferente da rotina de vitórias. Os gestos, as palavras, a segurança de sempre, as certezas nas substituições.
No intervalo do tempo normal para a prorrogação, um sinal do momento difícil. Um discurso mais exaltado do que de costume à beira do campo. O que se passou dali em diante não é preciso repetir.
Vieram os pênaltis, e depois da última cobrança mais de seis anos de trabalho chegaram ao fim. Tite cumprimentou Bremer, abraçou Daniel Alves, ficou um tempo ainda na área dos reservas só olhando e foi para o túnel se despedindo da Seleção sem entrar no gramado e consolar os jogadores.
“Eu sou um cara mais reservado. Não é na vitória, não é na derrota. Tu viu eu comemorar outras vezes quando vencemos? Não viu. É um pouco do estilo. Mas seguramente eles sabem o orgulho que tenho do trabalho desenvolvido, do comprometimento, isso pode ter certeza”, afirma.
A despedida do cargo já estava anunciada, mas ela veio nove dias antes do que o Brasil inteiro esperava.
“Entendo absolutamente. Entendo a dor e todas as críticas que possam vir”, diz Tite.
