


Mais de um terço dos reféns ainda detidos pelo grupo extremista Hamas na Faixa de Gaza estão mortos, de acordo com um levantamento do governo israelense divulgado nesta terça-feira (4/6). Israel lamentou ainda a informação, divulgada na véspera, da morte de outros quatro detidos.
Das cerca de 250 pessoas sequestradas no enclave palestino durante o ataque do Hamas no sul de Israel em 7 de outubro, várias dezenas foram libertadas graças a uma trégua concluída em novembro, enquanto outros foram resgatados – vivos ou mortos – pelas tropas israelenses.
Segundo Israel, 120 pessoas ainda estão sendo mantidas refém, 43 das quais foram declaradas mortas pelas autoridades israelenses com base em várias fontes, incluindo informações do serviço secreto, vídeos de câmera de vigilância ou análises médico-legais.
Autoridades israelenses disseram que o número de mortes pode ser maior.
O Hamas, que no início da guerra ameaçou executar prisioneiros em retaliação aos ataques aéreos israelenses, afirma que os bombardeios causaram a morte dos sequestrados.
Israel, que não excluiu a hipótese em certos casos, declarou que alguns dos corpos de cativos encontrados apresentavam sinais de execução.

Um ministro espanhol de extrema esquerda alertou, na quarta-feira (8), as empresas de seu país estabelecidas em Israel do "risco de contribuir para o genocídio na Palestina", provocando a ira da embaixada israelense e uma reprimenda do Ministério das Relações Exteriores espanhol.
Em uma carta enviada a essas empresas, o ministro dos Direitos Sociais, Pablo Bustinduy, pediu que elas informassem quais medidas foram tomadas "para evitar os principais riscos de abusos que suas atividades poderiam acarretar" na região, de acordo com um comunicado à imprensa de seu Ministério.
As empresas devem evitar que suas atividades "possam contribuir para as violações flagrantes dos direitos humanos que o Estado de Israel está cometendo nos Territórios Palestinos Ocupados", pois há um "risco de contribuir para o genocídio na Palestina", disse o ministério de Bustinduy, membro da plataforma de extrema esquerda Sumar.
O texto irritou a embaixada israelense na Espanha, que em uma declaração publicada na rede social X rejeitou "a falsa acusação espalhada por alguns ministros (...) de que Israel está cometendo genocídio".
"A demonização e deslegitimação de Israel, recorrendo a acusações infundadas, dá asas ao Hamas", lamentou o escritório diplomático.
O Ministério das Relações Exteriores disse que não tinha conhecimento prévio da carta de Bustinduy e a rejeitou.
"Essa é a primeira notícia que recebemos sobre essa carta", disse um porta-voz à AFP, criticando Bustinduy por dizer que estava falando em nome do governo.
"Nossa posição é clara: o Estado de Israel e o povo de Israel são amigos da Espanha e do povo espanhol", acrescentou o porta-voz.
Ministros da extrema esquerda, que governa em coalizão com os socialistas de Pedro Sánchez, já usaram o termo "genocídio" no passado, mas essa é a primeira vez que o fazem em um documento oficial.
A controvérsia
A controvérsia ocorre em um momento em que Sánchez, considerado a voz europeia mais crítica contra Israel, está tentando trazer outros países europeus para o seu plano de reconhecer um Estado palestino, algo que o governo espanhol não descarta fazer unilateralmente.
O Sumar pede o reconhecimento imediato do Estado palestino, além de sanções contra Israel.
"As crianças da Palestina estão sendo assassinadas" e a comunidade internacional "não está fazendo absolutamente nada", disse a chefe da Sumar, Yolanda Díaz, a número três do governo.
A guerra
Um ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023 deixou mais de 1.170 pessoas mortas, a maioria civis, de acordo com uma contagem da AFP baseada em dados israelenses.
Até o momento, a resposta israelense deixou 34.844 mortos, de acordo com o Hamas, e causou uma catástrofe humanitária em Gaza.

Nesta sexta-feira (26), foi confirmada a morte da bebê Sabreen al-Rouh, que nasceu em um hospital de Gaza após sua mãe, Sabreen al-Sakani, ter sido morta em um ataque aéreo israelense. No último sábado (20), a mulher teve sua casa atingida pelo ataque e ficou gravemente ferida, sendo levada às pressas para o hospital dos Emirados, em Rafah. Devido aos ferimentos, ela não resistiu, mas a bebê de 30 semanas foi salva.
Além de Sakani, o marido, Shukri, e sua filha Malak (3) também morreram. Ontem (25), depois de apenas alguns dias de nascida, Rouh também foi a óbito.
Segundo foi informado pelo chefe da unidade neonatal de emergência do Hospital dos Emirados, dr. Mohammad Salama, a bebê sofria de problemas respiratórios e tinha um sistema imunológico fraco. “Eu e outros médicos tentamos salvá-la, mas ela morreu. Para mim, pessoalmente, foi um dia muito difícil e doloroso”, disse ele à Reuters.
O tio de Rouh, Rami al-Sheikh Jouda visitava o hospital todos os dias para verificar a saúde da sobrinha e não acreditou que seu problema de saúde fosse grave até receber a ligação avisando da morte dela. “Rouh se foi, meu irmão, sua esposa e filha se foram, seu cunhado e a casa que nos unia se foram”, disse ele à Reuters.
Israel negou ter visado civis durante sua campanha para erradicar os membros do grupo terrorista Hamas.

Uma menina foi retirada do útero de uma mulher palestina morta junto com seu marido e filha por um ataque israelense em Rafah No total, 19 pessoas foram mortas durante a noite em ataques israelenses intensificados, disseram autoridades de saúde palestinas.
As vítimas, mortas em ataques a duas casas, incluíam 13 crianças de uma mesma família, disseram.
O bebê, pesando 1,4 kg e retirado via cesárea de emergência, estava em uma condição estável e melhorando gradualmente, disse Mohammed Salama, médico que cuida dela. A mãe, Sabreen Al-Sakani, estava na trigésima semana de gestação quando foi morta em um ataque a um dos lares.
O bebê foi colocado em uma incubadora em um hospital de Rafah ao lado de outra criança. As palavras “O bebê da mártir Sabreen Al-Sakani” foram escritas em um pedaço de fita e coladas em seu peito.
A criança deve permanecer no hospital por três ou quatro semanas, disse Salama, o médico.
“Depois disso, veremos sobre sua partida, e onde essa criança irá, para a família, para a tia ou tio ou avós, esta é a maior tragédia. Mesmo que essa criança sobreviva, ela nasceu órfã”, disse ele.
Israel está ameaçando uma ofensiva terrestre na área. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que combatentes do grupo militante Hamas devem ser eliminados para garantir a vitória de Israel na guerra.

Israel assumiu, na terça-feira (2), a responsabilidade por um ataque a bomba que matou, na véspera, sete trabalhadores humanitários que distribuíam comida na Faixa de Gaza. Autoridades israelenses admitiram que foi um “erro grave” e prometeram investigar o caso.
A organização World Central Kitchen (WCK), do chef hispano-americano José Andrés, para a qual trabalhavam as vítimas do atentado, anunciou a suspensão de suas atividades no território palestino.
- Infelizmente, ontem (segunda-feira) ocorreu um incidente trágico, as nossas forças atingiram involuntariamente pessoas inocentes na Faixa de Gaza - declarou o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.
- São coisas que acontecem numa guerra (…), estamos em contato com os governos e faremos todo o possível para evitar que volte a acontecer - acrescentou.
Por sua vez, o chefe das Forças de Defesa de Israel, general Herzi Halevi, reconheceu, nesta quarta-feira, que foi “um erro grave”.
- Foi um erro que ocorreu após um erro de identificação durante a noite, durante uma guerra, em condições muito complexas. Isto não deveria ter acontecido - acrescentou Halevi.
O presidente de Israel, Isaac Herzog, conversou com José Andrés e “expressou sua profunda tristeza e sinceras desculpas pela trágica morte da equipe WCK”, afirmou a Presidência israelense, em comunicado.
'Completamente inaceitável'
As mortes dos trabalhadores geraram duras reações internacionais e apelos para investigar o que aconteceu e garantir que os responsáveis sejam responsabilizados.
O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, disse à Assembleia Geral que 196 trabalhadores humanitários já morreram na guerra em Gaza.
Os Estados Unidos, principal aliado de Israel, exigiram uma investigação “rápida e imparcial” sobre o ocorrido, disse o secretário de Estado, Antony Blinken.
A Casa Branca disse estar “indignada” e indicou que enviaria “uma mensagem clara a Israel de que os trabalhadores humanitários devem ser protegidos”.
O governo britânico convocou o embaixador israelense para expressar a sua “condenação inequívoca” ao sucedido. Na Polônia, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Andrzej Szejna, disse que Israel deveria “compensar” as famílias das vítimas.

Israel lançou um intenso bombardeio noturno no Sul da Faixa de Gaza, apesar da pressão internacional por uma trégua imediata no território palestino.
Diante das necessidades urgentes em Gaza, os Estados Unidos anunciaram que continuariam a lançar ajuda aérea, apesar de o Hamas ter pedido o fim dessa prática depois de afirmar que 18 pessoas morreram ao tentar chegar aos pacotes de alimentos.
Uma bola de fogo iluminou o céu na noite de terça-feira, na cidade de Rafah, no Sul, o único centro urbano de Gaza onde as forças terrestres israelenses não entraram.
Quase 1,5 milhão de pessoas estão reunidas naquela área, muitas delas fugindo dos bombardeios israelenses.
Na Cidade de Gaza (Norte) também se ouviu o som de explosões e observaram-se nuvens de fumaça devido aos ataques israelenses durante mais de uma semana contra o principal hospital da região.
O Ministério da Saúde em Gaza, controlada pelo Hamas, disse na quarta-feira que 66 pessoas foram mortas durante a noite, três delas em bombardeios israelenses perto de Rafah.
As forças israelenses também cercaram dois hospitais em Khan Younis, onde 12 pessoas, algumas delas crianças, foram mortas num bombardeio contra um campo de deslocados, segundo o Ministério da Saúde.
O Crescente Vermelho Palestino alertou que milhares de pessoas estão presas no hospital Nasser em Khan Younis e que “suas vidas estão em perigo”.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu outro alerta claro sobre a deterioração da situação humanitária em Gaza e, na terça-feira (19), um porta-voz disse que o número de bebês à “beira da morte” por fome aguda está crescendo.
“O que os médicos e a equipe médica estão nos dizendo é, cada vez mais, eles estão vendo os efeitos da fome; eles estão vendo bebês recém-nascidos simplesmente morrendo porque eles (têm) muito baixo peso ao nascer”, disse a porta-voz da OMS, Dra. Margaret Harris.
Enquanto crianças e bebês estão entre os menos capazes de lidar com a fome crônica, a OMS diz que há um número crescente de gestantes perigosamente abaixo do peso.
“Isso é inteiramente feito pelo homem, tudo o que estamos vendo medicamente; este era um território onde o sistema de saúde funcionava bem”, disse Harris.
A OMS pretendia construir centros de estabilização emergencial de desnutrição em Gaza, mas o progresso foi dificultado pela falta de segurança.
Um centro foi estabelecido no sul de Gaza, e a OMS está tentando estabelecer um no norte de Gaza, “mas não podemos trazê-los à escala e às pessoas sem o acesso e a segurança. Portanto, não há resposta até que haja um cessar-fogo”, disse Harris.

O Programa Alimentar Mundial (PAM) disse, na terça-feira (05), que seu comboio de ajuda foi bloqueado pelo exército israelense dentro da Faixa de Gaza, sendo em seguida saqueado por "pessoas desesperadas".
A agência da ONU afirmou que o comboio era composto por 14 caminhões com cerca de 200 toneladas de alimentos, e seguia rumo ao norte do enclave, no primeiro carregamento após a suspensão das entregas de ajuda àquela zona, em 20 de fevereiro.
Mas depois de três horas de espera no posto de Wadi Gaza, no centro do território palestino, o comboio foi rejeitado pelo exército israelense e teve de regressar.
Depois de os caminhões terem sido desviados, foram parados por “uma grande multidão de pessoas desesperadas, que saquearam a comida” e levaram cerca de 200 toneladas, informou a agência, em comunicado.
A agência da ONU interrompeu a distribuição de alimentos no norte de Gaza em 20 de fevereiro devido ao “caos e violência total”, depois de outro comboio ter sido baleado e saqueado.
O PAM disse que estava buscando todas as formas de levar alimentos ao norte de Gaza, mas que as estradas eram a única forma de transportar grandes quantidades de alimentos necessários para evitar a fome.
Na manhã de terça-feira, seis toneladas de alimentos – suficientes para 20 mil pessoas – foram lançadas por via aérea em cooperação com a força aérea jordaniana, acrescentou.
“Os lançamentos aéreos são o último recurso e não evitarão a fome”, disse Carl Skau, vice-diretor executivo da agência.
A ONU estima que 2,2 milhões dos 2,4 milhões de habitantes de Gaza estão à beira da fome, especialmente no norte, onde as forças israelenses bloqueiam a entrada de ajuda.

O presidente dos Estados Unidos (EUA), Joe Biden, afirmou, nesta sexta-feira (1º/3), que trabalha por um cessar-fogo entre Israel e o Hamas para poder ampliar a ajuda humanitária na Faixa de Gaza. O líder norte-americano destacou ainda que o país levará comida por vias aéreas até o território afetado.
“Pessoas inocentes foram pegas em uma guerra terrível, incapazes de alimentar suas famílias, e você viu a resposta quando tentaram obter ajuda. Precisamos fazer mais”, disse Biden durante pronunciamento no Salão Oval da casa Branca.
Ele se referiu à morte de mais de 100 palestinos na quinta-feira (29/2), durante a chegada de um comboio de ajuda humanitária, quando uma multidão avançou sobre os caminhões e militares israelenses abriram fogo. Israel nega que os disparos tenham mirado as pessoas e alega que tentava dispersar a confusão.
“Nesta manhã, caminhões de ajuda humanitária entraram no norte de Gaza. Os residentes cercaram os caminhões e saquearam os mantimentos entregues. Como resultado de empurrões, correria e atropelamentos dos caminhões, dezenas de habitantes de Gaza foram mortos e feridos”, alegaram os militares de Israel.
O Hamas, porém, acusa os israelenses de terem atirado contra a multidão.
“Os Estados Unidos vão se unir aos nossos amigos da Jordânia e outros para fornecer lançamentos aéreos de suprimentos para Gaza e buscar abrir outras vias de ajuda humanitária, incluindo a possibilidade de um corredor marítimo”, reforçou o presidente dos EUA.
De acordo com Biden, a ajuda humanitária que chega atualmente em Gaza não é o suficiente para atender as necessidades das pessoas.
Segundo a agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para o atendimento de palestinos, a UNRWA, cerca de 25% dos poços de águas do território foram destruídos por bombardeios, e o abastecimento de água está 7% menor do que o registrado antes do conflito.
A tensão na Faixa de Gaza se intensificou depois que membros do Hamas invadiram o território de Israel e mataram mais de 1,2 mil pessoas e fizeram outras 240 como reféns, em 7 de outubro de 2023.
O governo de Israel, desde então, tem intensificado os ataques aéreos e terrestres contra o território com o argumento de eliminação total do Hamas.

O embaixador palestino na ONU pediu nesta quinta-feira (29) ao Conselho de Segurança que condenasse a morte de mais de 100 pessoas na Faixa de Gaza, depois de um episódio caótico durante uma operação de distribuição de alimentos no território. "O Conselho de Segurança deveria dizer basta", declarou Riyad Mansour aos jornalistas.
As forças israelenses abriram fogo contra palestinos que tentavam conseguir ajuda alimentar em uma confusão na qual, segundo o Ministério da Saúde do território governado pelo grupo islamista Hamas, 112 pessoas morreram e 760 ficaram feridas.
"Este massacre atroz é um testemunho de que, enquanto o Conselho de Segurança estiver paralisado e vetado, isso está ceifando a vida do povo palestino", afirmou.
Como um dos cinco membros permanentes do Conselho de 15 membros, os Estados Unidos dispõem de um direito de veto que, como maiores aliados de Israel, exerceram em três ocasiões até agora para impedir a aprovação de resoluções pedindo um cessar-fogo imediato no território palestino.
Mansour disse que se reuniu mais cedo nesta quinta-feira com a embaixadora americana na ONU, Linda Thomas-Greenfield.
"Implorei-lhe que o Conselho de Segurança deve produzir um produto de condenação desta matança e punir os responsáveis por este massacre", contou.
Se o Conselho de Segurança tiver "coragem e determinação para impedir que estes massacres se repitam, o que precisamos é de um cessar-fogo", afirmou Mansour.
O Conselho de Segurança se reuniu em caráter de urgência na tarde desta quinta-feira, a portas fechadas, para tratar dos fatos ocorridos durante a manhã no norte de Gaza, a pedido da Argélia.
O incidente desta quinta se soma ao total de mortes de palestinos que, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, superou 30.000, a maioria mulheres e crianças.
A guerra começou em 7 de outubro com um ataque sem precedentes do Hamas que causou a morte de cerca de 1.160 pessoas em Israel, a maioria civis, segundo números israelenses.
