


Recentemente, cientistas do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) publicaram um estudo na revista científica British Journal of Pharmacology, relacionado a uma molécula com potencial contra doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. A LASSBio-1911, como foi nomeada, teve resultados positivos com testes em animais e foi desenvolvida na própria UFRJ.
A molécula atua na proteção dos astrócitos, que são células do cérebro que dão suporte e nutrição aos neurônios e têm sido consideradas mais fundamentais para o funcionamento do órgão.
“Hoje sabemos que o astrócito é muito importante em diversos processos do cérebro. E na doença de Alzheimer ele perde uma série de funções. Nosso trabalho mostra que essa droga conseguiu fazer com que ele recuperasse essa capacidade perdida em animais”, contou a neurocientista e autora do estudo, Flávia Gomes. “Um dos motivos para o insucesso no desenvolvimento de fármacos hoje para o Alzheimer são os alvos. E a importância do nosso trabalho é identificar os astrócitos como um novo alvo para futuras drogas”, explicou.
Os testes em camundongos mostraram que a LASSBio-1911 melhorou o desempenho comportamental, reverteu a perda cognitiva e recuperou a função sináptica dos neurônios.
“Os passos futuros ainda são muito longos até se pensar num remédio para testes em fase clínica, estamos numa fase pré-clínica. Mas é um resultado animador, vejo essa droga como um substrato para ser melhorado ao longo do tempo”, disse Gomes.

Uma pesquisa publicada na última quarta-feira (12), na revista científica Nature, revelou que o núcleo interno da Terra está desacelerando em relação à superfície do planeta. O estudo foi conduzido por cientistas da Universidade do Sul da Califórnia (USC) e fornece evidências de que essa velocidade vem diminuindo desde 2010.
O núcleo interno da Terra tem, aproximadamente, o tamanho da Lua e é formado por ferro-níquel. Ele também é cercado por um núcleo externo líquido, também de ferro-níquel. Nas últimas décadas, os pesquisadores estudaram diversos abalos sísmicos, para que, através da onda sísmica dos terremotos, possam criar representações do movimento do núcleo interno.
Ao todo, os cientistas compilaram e analisaram dados de 121 terremotos repetidos, registrados em torno das Ilhas Sandwich do Sul, entre 1991 e 2023. Também foram verificados os dados de testes nucleares soviéticos entre 1971 e 1974, bem como de testes nucleares franceses e americanos. Testes analisados por outros estudos também foram vistos.
De acordo com o professor-reitor de Ciências da Terra na Faculdade de Letras, Artes e Ciências da USC Dornsife, John Vidale, a desaceleração do núcleo interno foi causada pela agitação do núcleo externo. Isso gera o campo magnético do planeta e os “puxões” gravitacionais das regiões densas do manto rochoso sobreposto.
“Quando encontramos mais duas dúzias de observações sinalizando o mesmo padrão, o resultado foi inevitável. O núcleo interno desacelerou pela primeira vez em muitas décadas. Outros cientistas defenderam recentemente modelos semelhantes e diferentes, mas o nosso estudo mais recente fornece a resolução mais convincente”, disse o cientista.
Os pesquisadores ainda não estão certos das consequências, mas especulam que a duração dos dias pode mudar, mesmo que de maneira imperceptível. “É muito difícil notar, na ordem de um milésimo de segundo, quase perdido no barulho dos oceanos agitados e da atmosfera”, disse Vidale.

Um recente estudo publicado na revista científica Cell e produzido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) aponta que algumas regiões do Nordeste brasileiro podem sofrer abalos sísmicos de mais de 5.0 na escala Richter (mR). Os riscos foram avaliados a partir dos dados disponibilizados pelo Catálogo Sísmico Brasileiro (Sisbra) e da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR).
De acordo com os pesquisadores brasileiros José Augusto Silva da Fonsêca e Aderson Farias do Nascimento, e com o cientista polonês Stanislaw Lasocki, o risco de tremores depende de três fatores: a fonte, o caminho e o local. Segundo os dados analisados, os terremotos com mais de 5.1 mR têm 10% de chance de ocorrer no Nordeste nos próximos 50 anos. Terremotos de magnitude 4.7 e 5.1 têm 50% de chance de acontecer na mesma região.
Boa parte do território nacional, entretanto, está “protegida” por estar na Região Continental Estável da América do Sul.
“Regiões continentais estáveis representam desafios únicos para a realização de Análises Probabilísticas de Riscos Sísmicos porque os mecanismos que impulsionam a atividade sísmica são mal compreendidos. O Nordeste do Brasil é uma região continental estável, exibindo eventos de tamanho moderado registrados com intensidades sísmicas significativas e provocando o colapso de edifícios mal construídos no último século. Assim, avaliar o risco sísmico é fundamental para a mitigação do [problema]”, diz o estudo.
Apesar disso, o risco sísmico no Nordeste é menor do que em outras áreas com zonas sísmicas mais ativas.

Um exoplaneta com uma densidade de 0,059 g/cm³ foi descoberto por pesquisadores da Universidade de Liège, da Bélgica, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, no inglês, dos Estados Unidos, e do Instituto de Astrofísica da Andaluzia, da Espanha. A densidade do astro, nomeado de Wasp-193b, é tão baixa que parece com um algodão-doce. Ele orbita uma estrela semelhante ao Sol, a 1.200 anos-luz da Terra.
Para uma comparação de densidades, enquanto a do Wasp-193b é de 0,059 g/cm³, a de Júpiter é de 1,33 g/cm³ e a da Terra é de 5,51 g/cm³. O professor do MIT e coautor do estudo, Julien de Wit, explicou que “a razão pela qual se assemelha a algodão-doce é porque ambos são praticamente ar”. Dessa forma, o novo astro é “superfofo”, ficando atrás apenas do Kepler-51d.
O Wasp-193b é composto majoritariamente de hidrogênio e hélio. Os pesquisadores ainda informaram que os gases do exoplaneta se inflam por dezenas de milhares de quilômetros, fenômeno que ainda não é respondido por nenhuma teoria de formação planetária.
Agora, os estudiosos passarão a observar melhor a atmosfera do novo astro, utilizando até mesmo o telescópio James Webb, da Nasa, para tentar desvendar o mistério sobre a sua formação.

Um estudo publicado hoje (6), na revista Nature Medicine, revelou que 2% a 3% da população carrega um gene ligado ao desenvolvimento do Alzheimer. A pesquisa foi feita por membros do grupo de Neurobiologia e Demência, do Instituto de Pesquisa Sant Pau, em Barcelona, na Espanha.
O estudo teve mais de 10 mil amostras de pacientes na Europa e analisou cerca de 3.300 cérebros. Com isso, foi identificado a presença de duas cópias do gene Apoe4 em 95% dos adultos homozigotos, isto é, que possuem pares de genes idênticos, com 65 anos ou mais que apresentavam essa condição. Em 75% dos casos, os exames de PET-amiloide, usados para detectar placas da proteína beta-amiloide, ligadas ao Alzheimer, também indicaram a presença do gene.
“Agora, sabemos que quase todos os indivíduos que carregam duas cópias desse gene apresentam os sintomas de Alzheimer”, disse o primeiro autor do estudo e diretor da Unidade de Memória do serviço de Neurologia do instituto, Juan Fortea. “Isso significa que uma parcela significativa da população, até 3%, possui uma variante que é próxima da sua versão genética hereditária [que corresponde a cerca de 10% de todos os casos de Alzheimer], não apenas um fator de risco para a doença”, completou.
A presença das duas cópias do Apoe4 também indicou o desenvolvimento do Alzheimer em uma idade mais jovem. Com isso, é possível que no futuro existam exames que ajudem no diagnóstico precoce.
Os pesquisadores envolvidos no estudo acreditam que a descoberta pode ajudar a indicar novos caminhos para o desenvolvimento de medicamentos que combatam os sintomas da doença, reduzindo a formação de placas cerebrais que levam ao declínio cognitivo, por exemplo.
“Estamos vivendo um momento único nas pesquisas de Alzheimer, com a aprovação de duas drogas anti-amiloides nos últimos anos. Os centros de pesquisa têm aumentado o financiamento para estudos da condição e o nosso estudo se soma a esse esforço, indicando possíveis caminhos para investigar o avanço do Alzheimer conforme ele vai evoluindo”, disse o pesquisador do Centro de Supercomputador de Barcelona, Victor Montal.
A descoberta também pode indicar que portadores do gene Apoe4 têm um risco maior de desenvolvimento de uma alteração na ressonância magnética induzida por amiloides, ou Aria.
“Um possível impacto do nosso estudo é que, antes, a causa da demência era conhecida em menos de 1% dos casos, e agora identificamos fatores causas em mais de 15% das instâncias. Isso é de grande importância, e abre uma via para desenvolver terapias novas e mais seguras”, afirmou Montal.

Um estudo publicado recentemente na revista científica Diabetologia verificou que passar muito tempo parado, seja sentado ou deitado, faz mal para a saúde, podendo aumentar o risco de se ganhar peso, ter diabetes tipo 2, câncer e até mesmo uma morte precoce. Foram analisados os dados de mais de 2.300 voluntários, todos com uma faixa de 60 anos de idade. Um quarto dos colaboradores tinha diabetes tipo 2.
Durante o estudo, os pesquisadores da Universidade de Tecnologia Swinburne, em Melbourne, na Austrália, monitoraram as atividades dos participantes durante oito dias, utilizando um medidor em suas coxas. Foi calculado o tempo total que cada um passou sentado, em pé e dormindo. A pesquisa também levou em consideração o histórico de tabagismo, a escolaridade e a dieta alimentar, que poderiam afetar os resultados.
Comparando os marcadores de saúde, como a circunferência da cintura e os níveis de glicose e insulina dos voluntários, chegou-se à conclusão de que os que estavam classificados como “ótimos” passavam menos tempo sentados e mais tempo em pé, e “um tempo substancialmente maior sendo fisicamente ativo”.
Os voluntários com diabetes tipo 2 e que tinham “composições ideais em média” também favoreciam maiores níveis de tempo de sono.
“O comportamento sedentário está negativamente associado à saúde cardiometabólica. Menos tempo sedentário e mais tempo participando de atividades físicas estão associados à melhora da glicose plasmática, sensibilidade à insulina, níveis de insulina, percentual de gordura e níveis de triacilglicerol e colesterol", escreveram os pesquisadores.
Com os resultados, chegou-se às seguintes conclusões:
Os benefícios das medidas só aparecem quando elas são realizadas com regularidade. Assim, pode haver uma melhora na saúde cardiometabólica.

A imagem com maior definição já registrada da nebulosa Cabeça de Cavalo, localizada na constelação de Órion, foi capturada pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST, no inglês). Por se tratar de uma nebulosa mais próxima da Terra, a foto vai permitir estudos sobre a interação entre radiação e o ambiente interestelar, bem como uma maior compreensão sobre as regiões dominadas por fótons, chamadas de PDRs.

A Cabeça de Cavalo está localizada a cerca de 1.300 anos-luz da Terra, o equivalente a cerca de 12 quatrilhões de quilômetros, e foi descoberta no final do século XIX. Seu formato é gerado por causa de um espesso pilar de gás denso e poeira que ainda não sofreu erosão.
Na PDR onde a nebulosa se encontra, a luz ultravioleta de estrelas jovens cria um ambiente com gases de carga neutra e temperatura elevada, o que permite a emissão de luzes que ajudam a estudar os processos físicos e químicos da evolução da matéria interestelar na nossa galáxia e em todo o universo.

Visando a preparação de viagens para Marte no futuro, por robôs e por seres humanos, a Nasa está se preparando para estudar como as tempestades solares podem afetar a superfície do Planeta Vermelho. Além disso, o Sol está em seu pico de atividade neste ano, fenômeno que ocorre a cada 11 anos, e lança radiação nas profundezas do espaço. Isso motivo ainda mais as análises da agência americana.
Os estudos poderão determinar o tipo de proteção radiológica que os astronautas precisarão usar para pousar na superfície do Planeta Vermelho no futuro e também podem ajudar a compreender o motivo de Marte ter deixado de ser um planeta quente e úmido para ser um deserto congelado.
Os efeitos do pico de atividade solar na Terra não são sentidos, uma vez que o campo magnético do planeta o protege. Marte tem um caso diferente, já que perdeu seu campo magnético e ficou vulnerável às explosões do Sol.

Um estudo publicado recentemente na American Chemical Society (ACS) divulgou uma luva eletrônica desenvolvida por pesquisadores. A ferramenta tem o objetivo de ajudar na comunicação dos mergulhadores enquanto estes estão debaixo d’água, auxiliando-os a passarem comandos de forma mais clara. As luvas interpretam os movimentos feitos e os enviam por uma rede sem fio. No fim do processo, eles são traduzidos em mensagens.
O utensílio foi desenvolvido porque mergulhadores, quando submersos, costumeiramente usam gestos para se comunicarem, mas esses mesmos gestos podem ser difíceis de enxergar. Além de ajudar na comunicação, as luvas podem auxiliar em casos de derrame, para restabelecer habilidades motoras finas.
Foram gravados 16 movimentos feitos por mergulhadores. Todos foram inseridos em um computador com a técnica de aprendizado de máquina, que converte o movimento dos sensores em mensagens. A precisão obtida foi de 99,8%.
Os sensores têm o tamanho de uma porta USB-C e geram sinais eletrônicos quando verificam que há uma variedade de pressão, desde o toque leve de uma nota de dinheiro até o impacto da água saindo de uma mangueira. 10 desses sensores à prova d’água foram colocados dentro de curativos adesivos, que foram colados nos dedos e articulações da luva eletrônica.
Agora, os pesquisadores precisam tornar a luva não apenas confortável, mas também à prova d’água.

O governo Lula (PT) cortou verbas do Ministério da Saúde e de bolsas em universidade e da educação básica, entre outras ações, durante o ano de 2024. A diminuição de recursos ainda atingiu programas como o Criança Feliz e o financiamento das comunidades terapêuticas, estruturas voltadas ao tratamento de pessoas que fazem uso abusivo de álcool e drogas. O corte total feito em diversos ministérios supera R$ 4 bilhões. A medida foi tomada para adequar o Orçamento às regras do novo arcabouço fiscal.
Uma das bandeiras da Saúde sob Lula, o programa Farmácia Popular perdeu cerca de 20% dos recursos para a entrega de medicamentos com desconto. A redução desta ação alcançou R$ 107 milhões dos R$ 140 milhões retirados do ministério. Nesta modalidade, o ministério banca até 90% do valor dos medicamentos para doenças como glaucoma, Parkinson, entre outras, comprados em farmácias credenciadas. Os R$ 4,9 bilhões reservados para a entrega gratuita de medicamentos, porém, foram preservados. Nesta segmento do programa são beneficiados, entre outros grupos, os inscritos no Bolsa Família.
Em nota, a Saúde destacou que o orçamento geral do Farmácia Popular foi turbinado no governo Lula.
Na gestão Bolsonaro (PL), a verba era de cerca de R$ 2,5 bilhões anuais. O governo anterior ainda reservou somente R$ 1 bilhão para o programa na proposta de Orçamento de 2023 -o valor foi foi elevado a R$ 3 bilhões com a PEC da Transição. O corte “não impactará no planejamento do Ministério de imediato”, disse a pasta. “Tendo em vista que, ao longo do exercício financeiro, estes recursos poderão ser reestabelecidos e o planejamento anual ser executado de forma adequada.”
MEC
Já o MEC e a pasta da Ciência e Tecnologia perderam cerca de R$ 280 milhões. As ações ligadas à pesquisa e assistência estudantil em universidades e no ensino básico estão entre as mais impactadas. Dentro deste mesmo corte, a verba do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) caiu R$ 73 milhões. A redução foi de cerca de 3,6% do recurso do órgão de incentivo à pesquisa. Apesar de o percentual ser baixo, as instituições de ensino têm reiterado reclamações sobre falta de verba. Em dezembro, a Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior) disse que as universidades recebem verba “insuficiente”.
Para as ações ligadas à educação básica, o corte superou R$ 30 milhões. Cerca de metade desta cifra estava prevista para produção e distribuição de material didático. Em 2023, o MEC teve o caixa reforçado, após perder protagonismo sob Jair Bolsonaro (PL) na indução de políticas públicas. Mas a nova fase veio acompanhada de dificuldades na execução de recursos.
É comum que ações discricionárias sejam cortada durante o ano para, por exemplo, reforçar gastos obrigatórios, como da dívida pública ou sentenças judiciais, ou adequar o Orçamento às regras fiscais. A recomposição destes valores sofre influência do desempenho da economia, arrecadação do governo, queda de gastos obrigatórios, entre outros fatores. Em 2023, a verba discricionária subiu entre o começo e o fim do ano -em 2024, até agora, houve redução.
No saldo dos cortes, o Ministério da Fazenda perdeu o maior volume de recursos discricionários, ou seja, da verba usada no custeio e investimento e que não estão comprometida com obrigações como folha salarial. Esta cifra caiu 15%, com corte de R$ 485 milhões em ações destinadas, por exemplo, à tecnologia da Secretaria Especial da Receita Federal.
Outra bandeira da gestão Lula, o Bolsa Verde teve 20% dos recursos cortados. O orçamento atual é de R$ 112 milhões ao programa que prevê repasse extra a beneficiários do Bolsa Família que vivem em regiões de floresta sob risco de desmatamento.
Programas sociais
Já o orçamento do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome caiu R$ 225 milhões. A pasta afirma que tem verba para manutenção dos contratos do Criança Feliz até setembro. O programa, que perdeu R$ 90 milhões, inclui visitas domiciliares a gestantes e crianças e era uma bandeira do governo Michel Temer (MDB).
O ministério ainda estima que tem recursos para as comunidades terapêuticas até agosto. Essas estruturas costumam ser ligadas a entidades religiosas e são bandeiras de parte dos parlamentares da direita, enquanto parte da esquerda rejeita este tipo de internação.
Em nota, o Ministério do Planejamento disse que a baixa inflação de 2023 causou o ajuste. “Inicialmente havia sido programado para este ano um montante de R$ 32 bilhões em despesas que estavam condicionadas à apuração da inflação. Mas, como o IPCA veio abaixo do previsto, o valor de fato que pôde ser liberado foi de cerca de R$ 28 bilhões”, disse a pasta.
“Esse ajuste é o principal fator que explica a redução, em R$ 4,5 bilhões, da estimativa para a despesa discricionária em 2024, anunciada no Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas do 1º Bimestre”, afirmou ainda o ministério.
Além dos cortes, o governo bloqueou outros R$ 2,9 bilhões do orçamento. Esse bloqueio ainda pode ser revertido, por exemplo, com eventual queda de despesas obrigatórias. Os ajustes são decididos pelo colegiado da JEO (Junta de Execução Orçamentária), com base em informações enviadas pelos ministérios.
Em nota, a Ciência e Tecnologia disse que o bloqueio de verbas estava previsto e os recursos podem ser liberados durante o ano. “Este contingenciamento não impactará o pagamento de bolsas do CNPq”, disse a pasta, que não respondeu sobre o corte do orçamento. Procurado, o MEC não se manifestou.
Apesar dos cortes, o Ministério dos Povos Indígenas teve a verba turbinada durante o ano. O orçamento da pasta subiu de R$ 850 milhões para R$ 1,3 bilhão, uma alta puxada pela liberação de cerca de R$ 1 bilhão a diversos órgãos para enfrentar a crise Yanomami. Esse aporte, porém, feito como crédito extraordinário, que é utilizado em casos de despesas urgentes, como crises, e não exigiu cancelamento de outras despesas.
CORTES NO ORÇAMENTO
Governo reduziu mais de R$ 4 bilhões em gastos discricionários por regras do novo arcabouço fiscal
Ministério da Fazenda: Pasta perdeu maior volume de recursos (R$ 485,8 milhões).
Ministério da Defesa: Teve R$ 280 milhões cortados. Em nota, disse que verba disponível é a menor em 10 anos e cita ‘forte impacto’.
Segurança e inteligência: PF perdeu R$ 122 milhões e diz que não foi ouvida sobre corte. Abin teve cerca de 20% da verba cortada.
Ministério da Saúde: De R$ 140 milhões cortados, R$ 107 milhões são para entrega com desconto no Farmácia Popular; pasta diz que ainda não há impacto na distribuição dos produtos e lembra que verba geral do programa foi turbinada.
MEC e Ciência e Tecnologia: Perderam cerca de R$ 280 milhões. Bolsas em universidade e na educação básica estão entre ações atingidas.
Desenvolvimento e Assistência Social: Com cortes de R$ 228 milhões, pasta diz que tem verba limitada para programa Criança Feliz e financiamento de comunidades terapêuticas
Fonte: dados extraídos do Siop (Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento), Siga Brasil e de ministérios.
