Protestos contra o alto custo de vida e a precarização dos serviços públicos mobilizaram centenas de milhares de pessoas em diversas cidades da França neste sábado (17). As manifestações terminaram com mais de mil pessoas detidas, após confrontos entre manifestantes e forças de segurança. Os atos também ganharam repercussão em outros países europeus, como Bélgica, Portugal e Itália.

Segundo o governo francês, cerca de 550 mil pessoas participaram das mobilizações em todo o país. Já os organizadores, incluindo representantes sindicais, estimaram a presença de aproximadamente 800 mil manifestantes. Os protestos ocorreram em diferentes cidades e reuniram estudantes, trabalhadores e integrantes do movimento dos Coletes Amarelos, conhecido por manifestações anteriores contra o aumento do custo de vida.

Estudantes se unem a sindicatos

As mobilizações foram impulsionadas por protestos estudantis que acontecem há semanas. Inicialmente concentradas em reivindicações relacionadas às condições das escolas, à falta de professores e à qualidade da educação, as manifestações passaram a incorporar críticas à desigualdade social, aos preços dos combustíveis e à redução dos investimentos públicos.

Com a adesão dos sindicatos e de integrantes dos Coletes Amarelos, o movimento ganhou dimensão nacional. Os participantes também demonstraram insatisfação com o poder de compra da população e com as dificuldades enfrentadas por famílias para arcar com despesas essenciais.

Confrontos e detenções

Embora muitas manifestações tenham ocorrido de forma pacífica, episódios de violência foram registrados em diferentes cidades. Houve confrontos com a polícia, incêndios, depredação de prédios públicos e saques a estabelecimentos comerciais.

Em Limoges, um incêndio atingiu a prefeitura. Em Lyon, o escritório de turismo foi incendiado, enquanto em Marselha também foram registrados danos a edifícios públicos e estabelecimentos comerciais.

O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, condenou os episódios de violência e afirmou que o governo não aceitará tentativas de impor agendas políticas por meio de ataques e depredações. O presidente Emmanuel Macron também defendeu a responsabilização dos envolvidos nos atos criminosos.

De acordo com informações divulgadas pela Reuters, o número de detenções chegou a aproximadamente 1.200 pessoas durante a jornada de protestos. Autoridades também informaram que integrantes das forças de segurança ficaram feridos.

Mobilizações avançam pela Europa

A insatisfação com o custo de vida também provocou manifestações em outros países europeus. Na Bélgica, manifestantes foram às ruas e ocorreram confrontos com a polícia. Portugal e Itália também registraram atos relacionados ao aumento das despesas e às dificuldades econômicas.

Na Albânia, protestos envolveram reivindicações contra a corrupção, o desemprego e problemas na educação.

A expansão das mobilizações evidencia a preocupação de diferentes setores da população europeia com questões como inflação, moradia, combustíveis e qualidade dos serviços públicos.

A situação mantém pressão sobre o governo francês, que enfrenta o desafio de responder às reivindicações sociais e, ao mesmo tempo, conter os episódios de violência registrados durante as manifestações.

Fonte: Reuters e Associated Press, com informações publicadas em 17 de outubro de 2026.