O próximo presidente do Brasil deverá assumir o governo em meio a um cenário internacional ainda mais complexo, marcado por mudanças geopolíticas e incertezas nas relações entre as principais potências mundiais. A avaliação é do economista Otaviano Canuto, professor da Elliott School of International Affairs, da George Washington University, nos Estados Unidos.

Segundo Canuto, a conjuntura global dos próximos meses poderá apresentar desafios maiores do que os observados atualmente, exigindo do futuro chefe do Executivo brasileiro capacidade de negociação e decisões estratégicas na política externa.

O economista tem experiência em organismos internacionais. Entre 2007 e 2009, foi vice-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), além de ter atuado como diretor do Banco Mundial entre as décadas de 2000 e 2010.

Eleições brasileiras e relações internacionais

A disputa pela Presidência da República também poderá influenciar os rumos da política externa brasileira. Entre os possíveis candidatos citados no debate estão Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que apresentam diferentes aproximações políticas e ideológicas no cenário internacional.

Enquanto Lula mantém relações com governos e lideranças de diferentes correntes, incluindo setores da esquerda, Flávio Bolsonaro é associado a grupos políticos conservadores e de direita. Essas aproximações podem influenciar prioridades diplomáticas, embora as decisões de um eventual governo também dependam dos interesses econômicos e estratégicos do Brasil.

Eleições nos Estados Unidos entram no radar

Outro fator importante para o cenário internacional são as eleições legislativas dos Estados Unidos, conhecidas como midterms, previstas para 3 de novembro de 2026. A votação poderá alterar a composição do Congresso americano e influenciar a capacidade de atuação do presidente Donald Trump, do Partido Republicano.

O resultado poderá repercutir em decisões relacionadas à política externa, ao comércio internacional e às relações econômicas com outros países, incluindo o Brasil.

Diante desse contexto, o próximo governo brasileiro terá de acompanhar de perto as transformações internacionais e avaliar seus possíveis impactos sobre a economia nacional, as relações diplomáticas e os interesses estratégicos do país.

A avaliação de Otaviano Canuto reforça que o desafio do futuro presidente não estará restrito à política interna. O cenário internacional também deverá exigir habilidade diplomática e capacidade de adaptação diante de mudanças que podem redefinir as relações entre as principais economias do mundo.