As passagens aéreas no Brasil podem ficar mais caras a partir de 2027, com a implementação da Reforma Tributária. O alerta foi feito por representantes do setor aéreo, que temem o aumento da carga tributária sobre o transporte de passageiros e os impactos no número de viajantes.
De acordo com estimativas da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), as tarifas de voos domésticos podem subir 16,1%, enquanto as passagens internacionais podem registrar aumento de 13,3%, caso as novas regras sejam aplicadas com a alíquota de referência projetada. As projeções foram divulgadas em reportagem da Reuters nesta segunda-feira (19).
A reforma prevê a substituição gradual de tributos sobre o consumo por um novo modelo de impostos, com a criação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Representantes do setor afirmam que a mudança pode elevar a carga tributária efetiva incidente sobre as passagens de aproximadamente 9% para 26,5%, considerando o cenário projetado.
Impacto para os passageiros
O possível aumento preocupa principalmente os passageiros que viajam a lazer e as famílias que dependem do transporte aéreo para visitar parentes ou realizar viagens de férias. Segundo representantes do setor, tarifas mais elevadas podem reduzir a procura por passagens e afetar o turismo.
A IATA estima que a demanda anual por viagens aéreas no país poderia cair cerca de 21%, o equivalente a aproximadamente 25 milhões de passageiros a menos, caso o cenário projetado se confirme.
As companhias também alertam para possíveis reflexos na oferta de voos, especialmente em rotas regionais, que atendem cidades com menor demanda.
Setor pede revisão das medidas
Entidades ligadas à aviação defendem que o governo avalie alternativas para reduzir os impactos da nova tributação. Entre as propostas discutidas estão o adiamento de determinadas medidas e a aplicação de uma alíquota reduzida para o setor.
O Ministério de Portos e Aeroportos também vem discutindo mecanismos para preservar a conectividade aérea, principalmente em regiões onde a oferta de voos é mais limitada.
Apesar das projeções, o aumento de 16,1% não representa um reajuste já confirmado pelas companhias aéreas. O percentual é uma estimativa do setor sobre os possíveis efeitos da nova estrutura tributária, e o impacto efetivo dependerá da regulamentação e da aplicação das regras.


