


Projeções de economistas indicam que o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve terminar com déficit nominal médio de 8,6% do Produto Interno Bruto (PIB), o maior em mais de duas décadas. O indicador, que considera a diferença entre receitas e despesas do governo, incluindo o pagamento de juros da dívida pública, é impulsionado pelo aumento dos gastos públicos, juros elevados e crescimento da dívida, que já supera R$ 10 trilhões, segundo dados do Banco Central.
O terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva caminha para registrar o maior déficit nominal médio entre os governos federais das últimas duas décadas, de acordo com projeções do economista-chefe da Tullett Prebon Brasil, Fernando Montero. A estimativa aponta déficit de 8,6% do PIB no período de 2023 a 2026.
Segundo dados divulgados pelo Banco Central, o déficit nominal acumulado em 12 meses encerrados em junho atingiu 9,99% do PIB. Já a dívida bruta do setor público avançou de R$ 10,6 trilhões (81,1% do PIB) em maio para R$ 10,8 trilhões (81,9% do PIB) em junho, com projeção da Instituição Fiscal Independente (IFI) de encerrar o ano em 82,5% do PIB.
Especialistas ouvidos na reportagem atribuem o cenário ao crescimento das despesas públicas, aos juros elevados e à ausência de superávits primários suficientes para estabilizar a trajetória da dívida. Fernando Montero afirmou que o principal problema está no ritmo dos gastos públicos, enquanto Marcus Pestana, presidente da IFI, destacou que a combinação de crescimento econômico moderado, juros altos e falta de poupança pública pressiona as contas do governo.
O economista Felipe Salto avaliou que um déficit próximo de 9% do PIB permanece elevado para os padrões brasileiros e alertou para os efeitos do risco fiscal sobre os juros e o crescimento econômico. Na mesma linha, a economista Solange Srour afirmou que, sem um ajuste fiscal mais robusto e reformas estruturais, a dívida pública deve continuar crescendo nos próximos anos, reduzindo o espaço para investimentos públicos e aumentando os riscos para a economia.
De acordo com o levantamento apresentado, o déficit nominal médio projetado para o atual mandato supera os registrados nos governos anteriores, inclusive durante o período da pandemia de Covid-19. O gráfico compara os seguintes resultados médios: Lula I (3,79%), Lula II (2,58%), Dilma I (3,41%), Dilma II/Temer (8,48%), Bolsonaro (7%) e Lula III (8,6%, projeção).
